quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

RAQUEL LYRA DISPARA CONTRA O PSB, FALA EM “ABANDONO” DE PERNAMBUCO E ADIA DEFINIÇÃO SOBRE PALANQUE PRESIDENCIAL

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), elevou o tom contra o PSB ao afirmar que o Estado foi “abandonado” durante a gestão do ex-governador Paulo Câmara. Em entrevista à CNN, a chefe do Executivo estadual fez críticas diretas à administração anterior, apontando falhas nas áreas de saúde, infraestrutura e segurança pública, ao mesmo tempo em que evitou antecipar qualquer posicionamento sobre alianças para as eleições deste ano.

Segundo Raquel, o momento é de foco na gestão e não de discussão eleitoral. “Tenho que estar focada no trabalho que vem sendo realizado no Estado”, declarou, sinalizando que não pretende entrar, por ora, no debate sobre palanques nacionais ou disputas locais. A governadora reforçou que tanto ela quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão concentrados em governar, enquanto a oposição demonstraria “ansiedade” por definições políticas antecipadas.

A fala também teve endereço político claro. Ao comentar a pressão por anúncios de apoio e composições, Raquel destacou que “o tempo de quem está na oposição não é o tempo de quem está no governo”, defendendo que sua prioridade é consolidar uma base administrativa sólida e construir alianças que tragam benefícios concretos para Pernambuco.

Filiada ao PSD, a governadora fez questão de exaltar o crescimento da legenda no Estado ao longo de 2025, classificando o partido como o que mais avançou politicamente em Pernambuco no último ano. Ela afirmou ainda ter liberdade concedida pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para articular as alianças que considerar estratégicas para seu projeto político, o que reforça a autonomia do seu grupo nas negociações estaduais.

Ao tratar do cenário nacional, Raquel evitou confirmar qualquer definição sobre palanque presidencial em Pernambuco e transferiu ao presidente Lula e ao PT a responsabilidade de esclarecer como será a condução da aliança no Estado. A declaração foi dada após questionamento sobre a possibilidade de neutralidade de Lula em uma eventual disputa pelo Governo de Pernambuco — hipótese que não agrada setores do PSB, especialmente o prefeito do Recife, João Campos, que deve disputar o Palácio do Campo das Princesas pela oposição.

A entrevista deixa claro que, embora o calendário eleitoral avance, o Governo do Estado aposta em uma estratégia de cautela pública, enquanto os bastidores seguem em intensa movimentação. Ao mesmo tempo em que endurece o discurso contra o PSB e tenta consolidar a narrativa de reconstrução administrativa, Raquel Lyra mantém abertas as portas para articulações futuras, numa equação que mistura gestão, alianças e disputa política em um dos estados mais estratégicos do Nordeste.

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