Nos bastidores, o gesto foi visto como uma resposta direta às críticas feitas pelo presidente estadual do PL, Anderson Ferreira. O dirigente havia acusado Gilson de prejudicar o projeto político de Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República, após a circulação de panfletos com a imagem do senador — iniciativa que integrantes do PL classificaram como isolada e potencialmente problemática no contexto eleitoral.
A controvérsia ganhou dimensão nacional quando o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) informou ter acionado a Justiça Eleitoral, alegando possível propaganda antecipada. O episódio ampliou a tensão e transformou uma divergência regional em tema de debate no cenário político nacional.
Diante das críticas públicas, Gilson buscou reforçar sua proximidade com a família Bolsonaro. “A gente tem uma longa história”, afirmou após o encontro. Flávio Bolsonaro respondeu no mesmo tom, sinalizando alinhamento: “Gilson é uma pessoa que anda do nosso lado. Teremos uma batalha difícil esse ano”. A declaração foi interpretada como um gesto de respaldo político em meio às disputas internas.
A mudança partidária também entrou no centro da polêmica. Gilson deixou o PL e se filiou ao Podemos, decisão que vem sendo questionada por aliados de Anderson Ferreira. O ex-ministro, no entanto, sustenta que a movimentação foi previamente alinhada com a família Bolsonaro. “A minha ida ao Podemos só se deu porque foi muito bem acordada, pensada, alinhada e, sobretudo, teve o aval da família Bolsonaro. Eu nunca faria algo que pudesse prejudicá-los. Estão espalhando fake news e tentando criar uma narrativa feita para me difamar”, declarou.
As declarações de Anderson ocorreram em Petrolina, durante ato de filiação ao PL. Na ocasião, ele afirmou que Gilson não teria legitimidade para falar em nome do partido após deixar a legenda, chamando-o de “desertor” e criticando sua escolha por um partido que, segundo ele, reúne parlamentares alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O dirigente estadual também questionou decisões estratégicas recentes de Gilson, incluindo sua atuação nas eleições municipais do Recife em 2024 e uma eventual movimentação em torno da disputa ao Senado. As críticas públicas escancararam o racha dentro do bolsonarismo pernambucano em pleno calendário eleitoral.
Nos bastidores, aliados do ex-ministro avaliam que a reunião em Brasília teve peso simbólico e estratégico. Ao aparecer ao lado de Flávio Bolsonaro, Gilson demonstra manter interlocução direta com a cúpula nacional do movimento conservador, sinalizando que segue ativo e articulado no tabuleiro político.
O episódio deixa claro que, em 2026, a disputa pela liderança da direita em Pernambuco já não é silenciosa. Ao contrário, tornou-se pública, direta e marcada por declarações contundentes — um cenário que deve influenciar os rumos da campanha no Estado ao longo dos próximos meses.
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