domingo, 1 de fevereiro de 2026

STF LIBERA GILSON MACHADO PARA DEIXAR O RECIFE APÓS MESES DE RESTRIÇÕES JUDICIAIS

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado está novamente autorizado a sair do Recife, após passar cerca de 230 dias submetido a restrições judiciais impostas no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Federal. A decisão que flexibiliza as medidas foi celebrada pelo próprio ex-ministro neste sábado (31), quando ele usou as redes sociais para anunciar que poderá retomar compromissos fora da capital pernambucana e reorganizar atividades pessoais e profissionais que estavam limitadas desde o episódio.

Gilson Machado havia sido preso sob suspeita de tentar viabilizar a emissão de um passaporte português no Consulado de Portugal no Recife, supostamente para permitir que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixasse o país. A prisão, no entanto, foi de curta duração. Apesar disso, ele permaneceu por meses impedido de sair da cidade e, durante determinado período, também ficou proibido de utilizar redes sociais.

Desde o início do caso, o ex-ministro sustentou que seu único contato com o consulado português ocorreu para tratar da renovação do passaporte do próprio pai, que possui cidadania lusitana. A versão foi reiterada em diversas ocasiões por sua defesa e pelo próprio Gilson, que sempre negou qualquer tentativa de intermediação irregular. As informações sobre os desdobramentos mais recentes do caso foram divulgadas inicialmente por blogs políticos da capital.

Ao tomar conhecimento da nova decisão judicial, Gilson afirmou ter recebido a notícia com alívio. Em um encontro com o vereador Gilson Filho, realizado em sua propriedade, ele relatou que ainda estava assimilando a liberação. Em vídeo publicado nas redes, declarou que a Justiça teria sido feita e que agora poderá “ir para todos os cantos” e voltar a acompanhar de perto seus negócios, algo que, segundo ele, estava prejudicado pelas limitações impostas.

O período de restrições coincidiu com um momento decisivo de articulações políticas para as eleições futuras. Gilson Machado buscou viabilizar uma candidatura ao Senado pelo Partido Liberal, mas não conseguiu o apoio da direção nacional da sigla. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, demonstrou preferência pelo nome de Anderson Ferreira para a disputa majoritária em Pernambuco. Sem espaço consolidado dentro da legenda e diante do novo cenário político, agravado pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília, Gilson acabou se desfiliando do PL.

Nos bastidores, o ex-ministro já mantém conversas avançadas com o Podemos, partido que vê potencial eleitoral em seu nome para a Câmara dos Deputados. Embora ainda não tenha anunciado oficialmente qual será seu novo destino partidário, aliados afirmam que a definição pode ocorrer em breve, abrindo caminho para uma candidatura a deputado federal.

A liberação para circular fora do Recife, portanto, não tem apenas efeito simbólico. Ela recoloca Gilson Machado em condições de intensificar agendas políticas, ampliar articulações no interior do estado e retomar a presença física em eventos e encontros estratégicos, algo considerado essencial em períodos pré-eleitorais. O desdobramento judicial, somado às movimentações partidárias, sinaliza que o ex-ministro pretende permanecer ativo no cenário político pernambucano, agora em uma nova fase marcada pela tentativa de reconstrução de sua trajetória após meses de incertezas.

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