Atualmente, 35,95% de toda a energia consumida por Suape já tem origem em fontes renováveis. O número não representa apenas um indicador técnico, mas traduz uma política institucional que combina responsabilidade ambiental, inovação tecnológica e planejamento de longo prazo. A meta é reduzir emissões, modernizar a infraestrutura portuária e preparar o complexo para atender às novas demandas globais por operações mais sustentáveis.
A energia renovável já está presente em áreas consideradas de alta demanda dentro do complexo. O Centro Administrativo, os Cais 1, 4 e 5, o Pátio Público de Veículos e o Prédio da Autoridade Portuária operam com abastecimento de fontes limpas. São setores que concentram atividades estratégicas e fluxo intenso de operações, o que amplia o impacto positivo da mudança na matriz energética. Juntas, essas unidades registram um consumo anual de aproximadamente 1,46 GWh. Para se ter dimensão do volume, isso equivale ao consumo mensal de cerca de 7.300 residências populares, considerando uma média de até 200 kWh por domicílio.
A transição energética em Suape não se limita apenas ao fornecimento de eletricidade. Ela está integrada a uma política ambiental mais ampla, que envolve preservação, reflorestamento e inovação. Um exemplo emblemático é o Viveiro Florestal de Suape, que funciona com abastecimento 100% solar. O espaço tem capacidade para produzir aproximadamente 450 mil mudas por ano e desempenha papel essencial nos projetos de recuperação ambiental e manutenção das áreas verdes do território do complexo.
Essa iniciativa ganha ainda mais relevância quando se observa a dimensão territorial de Suape. O complexo ocupa 17,3 mil hectares, dos quais 59% estão inseridos na Zona de Preservação Ecológica (ZPEC). Ou seja, mais da metade da área é destinada à conservação ambiental, o que reforça o desafio de conciliar crescimento industrial com proteção dos ecossistemas — um equilíbrio que vem sendo buscado por meio de ações estruturadas como a ampliação do uso de energia limpa.Paralelamente à mudança na matriz energética, Suape também investe em tecnologia para tornar o consumo mais inteligente. No Cais 5 e no Pátio Público de Veículos, foi implantado um sistema de iluminação automatizado que ajusta a intensidade da luz de acordo com a necessidade operacional de cada momento. A solução reduz desperdícios e deve gerar uma economia estimada de cerca de 60% no consumo de energia dessas áreas, mostrando que eficiência energética também passa por gestão e inovação.
Para o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, as ações representam mais do que melhorias operacionais. Elas consolidam um posicionamento institucional. Segundo ele, o complexo está alinhado às exigências de um novo modelo portuário, no qual sustentabilidade e competitividade caminham juntas. O Centro Administrativo, por exemplo, já opera com abastecimento totalmente proveniente de energia limpa, simbolizando essa virada de chave dentro da gestão do porto.
Ao combinar energia renovável, preservação ambiental e tecnologia de ponta, Suape constrói um modelo que vai além da infraestrutura tradicional e aponta para o futuro da atividade portuária. Em um cenário global cada vez mais pressionado por metas de descarbonização, o complexo pernambucano se antecipa, transforma desafios em oportunidades e reafirma seu papel como protagonista no desenvolvimento sustentável do Brasil.
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