sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

TOFFOLI SE AFASTA DO CASO BANCO MASTER APÓS PRESSÃO DA PF E SENADO ANALISA PEDIDO DE IMPEACHMENT

O ministro Dias Toffoli decidiu se afastar da relatoria do processo que envolve o Banco Master, em um dos episódios mais delicados já enfrentados pelo Supremo Tribunal Federal nos últimos anos. A condução do caso foi transferida ao presidente da Corte, ministro Édson Fachin, que agora ficará responsável por designar um novo relator para dar continuidade às investigações e decisões judiciais relacionadas ao escândalo.

A saída de Toffoli ocorre em meio a um ambiente de forte pressão institucional. O ministro vinha resistindo à ideia de deixar o caso, mesmo após questionamentos sobre possível conflito de interesses. A Polícia Federal formalizou pedido de afastamento do magistrado, apontando indícios de envolvimento pessoal com personagens centrais do processo, entre eles o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que atualmente está preso.

Segundo informações de bastidores, a decisão foi amadurecida após uma reunião entre todos os ministros do Supremo, quando foram analisadas as razões apresentadas pela PF. O encontro teria sido determinante para a definição do afastamento, evitando um desgaste ainda maior para a imagem da Corte em um momento de elevada exposição pública.

O caso ganhou contornos ainda mais sensíveis após vir à tona que Toffoli havia realizado uma transação imobiliária envolvendo um resort de sua propriedade, em sociedade com dois irmãos, vendido ao Banco Master antes da intervenção do Banco Central na instituição financeira. O banco é acusado de envolvimento em operações fraudulentas que teriam desviado bilhões de reais, o que levou à ação das autoridades reguladoras e ao aprofundamento das investigações criminais.

No Congresso Nacional, a crise também repercute. Senadores de oposição protocolaram pedido de impeachment contra o ministro, alegando que a negociação imobiliária com o banco, somada à permanência na relatoria do caso, comprometeria a imparcialidade exigida de um integrante do Supremo Tribunal Federal. O requerimento está sob análise no Senado, responsável constitucionalmente por julgar ministros da Corte em casos dessa natureza.

A decisão de Toffoli de se afastar da relatoria é interpretada por analistas como uma tentativa de preservar a institucionalidade do STF diante da escalada da crise. Ao transferir o processo para redistribuição, o ministro reduz o foco sobre sua atuação direta no caso, enquanto o Supremo busca demonstrar que eventuais suspeitas serão tratadas dentro dos mecanismos legais e regimentais da própria Corte.

Com a designação de um novo relator por Édson Fachin, o processo deve ganhar novo ritmo. Paralelamente, o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal e os desdobramentos políticos no Senado prometem manter o caso Banco Master no centro do debate jurídico e político nacional nas próximas semanas.

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