Viviane, que vem ampliando sua presença em agendas públicas, ações sociais e eventos institucionais ao lado do prefeito Joselito Gomes, passou a ser vista como um nome em ascensão dentro do grupo governista local. Sua eventual candidatura já era tratada como um projeto em construção, mas o caminho partidário parecia, até então, definido: o PL, legenda ligada ao deputado federal André Ferreira, aliado político da gestão municipal.
A sinalização de que Viviane pode optar pelo PSD, no entanto, muda o tabuleiro. O gesto é interpretado nos bastidores como um movimento estratégico para buscar maior estrutura partidária estadual, tempo de televisão e uma rede mais ampla de apoios regionais. O PSD, que tem investido na formação de chapas competitivas para a Alepe, aparece como uma sigla com musculatura política e capilaridade municipal — fatores decisivos em disputas proporcionais.
Para André Ferreira, a mudança representa mais que a perda de um nome competitivo. O deputado vinha apostando na candidatura de Viviane pelo PL como peça-chave para fortalecer o partido no Agreste e ampliar a base eleitoral da legenda no interior. A eventual saída dela da órbita liberal é vista como um revés político, especialmente por envolver uma liderança ligada diretamente ao prefeito de Gravatá, aliado estratégico em eleições anteriores.
Dentro do grupo de Joselito Gomes, o clima é de cautela. Publicamente, o discurso é de que ainda não há definições oficiais, mas interlocutores admitem que a primeira-dama tem sido incentivada a buscar um partido que ofereça melhores condições de viabilidade eleitoral. A avaliação é pragmática: uma candidatura à Alepe exige estrutura, recursos e alianças que ultrapassam as fronteiras do município.
A possível filiação ao PSD também pode indicar uma tentativa de posicionamento mais ao centro do espectro político estadual, afastando a imagem de alinhamento automático a um único campo ideológico. Esse reposicionamento pode ampliar o diálogo com prefeitos, vereadores e lideranças de diferentes correntes, algo essencial em uma disputa proporcional pulverizada como a de deputado estadual.
Nos bastidores da Assembleia, o movimento é observado com atenção. A entrada de um nome com forte ligação com a gestão de Gravatá e boa inserção social pode mexer na conta de votos da região. Gravatá, por sua localização estratégica e influência turística e econômica, costuma irradiar apoio para municípios vizinhos — um ativo eleitoral relevante.
Enquanto isso, o silêncio oficial das lideranças envolvidas alimenta as especulações. Nem Viviane, nem Joselito, tampouco André Ferreira, detalharam publicamente os próximos passos. Mas, na política, quando os sinais começam a se acumular, raramente são por acaso.
Se confirmada, a ida de Viviane Facundes para o PSD não será apenas uma troca de sigla. Será um recado claro de que, na corrida por espaço em 2026, lealdades locais podem ceder lugar a estratégias estaduais — e que Gravatá deixou de ser apenas coadjuvante para se tornar peça ativa no xadrez político pernambucano.
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