Zettel, preso desde março em Potim (SP), vinha sendo defendido por Maurício Campos Jr., Juliano Brasileiro e João Victor Assunção, que anunciaram desligamento alegando “motivo de foro íntimo”. A saída abriu caminho para Celso Vilardi, especialista em casos de alta complexidade, assumir a coordenação da defesa e conduzir as negociações de delação com as autoridades. A mudança sinaliza, nos bastidores, que Zettel pretende tratar o processo com cautela e experiência, alinhando sua estratégia à do cunhado Vorcaro, que também negocia colaboração.
O histórico de Vilardi e de sua equipe é um trunfo estratégico: a experiência acumulada em casos de grande repercussão nacional, incluindo investigações políticas sensíveis, indica que a defesa de Zettel buscará conduzir as negociações de forma minuciosa, com atenção especial ao sigilo, ao detalhamento de provas e ao alcance jurídico das colaborações.
Zettel é apontado como operador central de um esquema de ocultação de patrimônio ligado ao Banco Master, tendo atuado por quatro anos como diretor da Super Empreendimentos e Participações — empresa usada, segundo a Procuradoria-Geral da República, para a aquisição de imóveis de alto padrão em nome de Vorcaro. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam transferências de R$ 1,5 milhão de Zettel para familiares de ex-diretores do Banco Central do Brasil, incluindo Paulo Sérgio Neves de Souza, levantando suspeitas de pagamento de propina a servidores afastados, entre eles Belline Santana.
Nos últimos dias, Vorcaro foi transferido para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, passo considerado estratégico para agilizar e centralizar as negociações de delação. A assinatura do termo de confidencialidade pelo ex-banqueiro marcou a primeira etapa formal do processo. Analistas apontam que a entrada de Vilardi pode transformar a colaboração de Zettel em uma delação estruturada e minuciosa, capaz de revelar movimentações financeiras e conexões políticas que atingiriam patamares até então inéditos na investigação.
Nos bastidores, a decisão de trazer advogados com histórico de defesa de Bolsonaro não passou despercebida: especialistas afirmam que a escolha representa uma clara tentativa de garantir segurança jurídica e influência estratégica no desenrolar das negociações, potencializando o impacto das informações que Zettel poderá fornecer. Caso as delações se consolidem, o resultado poderá abalar agentes públicos, estruturas financeiras e expor redes complexas de influência.
A movimentação transforma o caso Banco Master em uma disputa silenciosa, mas de enorme relevância política e econômica, onde a experiência dos advogados, o conteúdo das delações e o alinhamento entre os investigados definirão os próximos capítulos de uma investigação que promete reverberar muito além dos tribunais.
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