Diferentemente das estimativas tradicionalmente divulgadas por organizadores ou forças de segurança, o levantamento utilizou imagens aéreas captadas por drones em cinco horários distintos ao longo da tarde. As fotografias foram processadas por um software baseado em inteligência artificial, treinado para identificar e contabilizar indivíduos de forma automatizada por meio da tecnologia conhecida como Point to Point Network (P2PNet). O sistema é calibrado para grandes multidões e apresenta precisão técnica que permite reduzir subjetividades, oferecendo um padrão comparável entre diferentes atos políticos realizados no mesmo local.
O evento reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e contou com a presença de lideranças conservadoras, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira, um dos principais mobilizadores do ato. Discursos direcionaram críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal, reforçando pautas relacionadas a liberdade de expressão, críticas ao Judiciário e defesa de bandeiras conservadoras.
A comparação com manifestações anteriores na mesma avenida revela um público inferior ao registrado em outros momentos de maior mobilização. Em atos passados medidos pelo mesmo método científico, os números chegaram a ultrapassar 30 mil participantes, o que indica que, embora relevante, a adesão deste domingo foi mais moderada. Ainda assim, o simbolismo político da Avenida Paulista como palco de demonstrações de força mantém o ato inserido no tabuleiro estratégico da direita brasileira.
A divulgação dos dados pela equipe acadêmica reforça a consolidação de métodos tecnológicos para aferição de público em eventos de massa, tema historicamente marcado por disputas narrativas. Ao aplicar critérios científicos padronizados, o levantamento oferece um retrato mais técnico do tamanho da mobilização, elemento que passa a influenciar não apenas a leitura política do ato, mas também o debate público sobre a real dimensão das manifestações de rua no país.
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