segunda-feira, 2 de março de 2026

ATO NA PAULISTA REÚNE 20,4 MIL PESSOAS, APONTA MÉTODO CIENTÍFICO DA USP COM USO DE DRONES E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A manifestação bolsonarista realizada neste domingo (1º), na Avenida Paulista, em São Paulo, teve público estimado em 20.400 pessoas no momento de maior concentração, segundo levantamento feito pelo Monitor do Debate Político do Universidade de São Paulo em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e a organização internacional More in Common. O cálculo considera uma margem de erro de 12%, o que projeta uma variação aproximada entre 18 mil e 22,9 mil participantes no pico registrado às 15h53.

Diferentemente das estimativas tradicionalmente divulgadas por organizadores ou forças de segurança, o levantamento utilizou imagens aéreas captadas por drones em cinco horários distintos ao longo da tarde. As fotografias foram processadas por um software baseado em inteligência artificial, treinado para identificar e contabilizar indivíduos de forma automatizada por meio da tecnologia conhecida como Point to Point Network (P2PNet). O sistema é calibrado para grandes multidões e apresenta precisão técnica que permite reduzir subjetividades, oferecendo um padrão comparável entre diferentes atos políticos realizados no mesmo local.

O evento reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e contou com a presença de lideranças conservadoras, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira, um dos principais mobilizadores do ato. Discursos direcionaram críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal, reforçando pautas relacionadas a liberdade de expressão, críticas ao Judiciário e defesa de bandeiras conservadoras.

A comparação com manifestações anteriores na mesma avenida revela um público inferior ao registrado em outros momentos de maior mobilização. Em atos passados medidos pelo mesmo método científico, os números chegaram a ultrapassar 30 mil participantes, o que indica que, embora relevante, a adesão deste domingo foi mais moderada. Ainda assim, o simbolismo político da Avenida Paulista como palco de demonstrações de força mantém o ato inserido no tabuleiro estratégico da direita brasileira.

A divulgação dos dados pela equipe acadêmica reforça a consolidação de métodos tecnológicos para aferição de público em eventos de massa, tema historicamente marcado por disputas narrativas. Ao aplicar critérios científicos padronizados, o levantamento oferece um retrato mais técnico do tamanho da mobilização, elemento que passa a influenciar não apenas a leitura política do ato, mas também o debate público sobre a real dimensão das manifestações de rua no país.

Nenhum comentário: