DE GIGANTE A BANCADA ENCOLHIDA: PSB PERDE MUSCULATURA NA ALEPE E ENFRENTA RISCO DE VIRAR COADJUVANTE EM 2026
O TAMANHO QUE VIROU PROBLEMA
O PSB saiu das eleições de 2022 como uma potência dentro da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Com 14 deputados estaduais, construiu a maior bancada da Casa e garantiu protagonismo político mesmo após a derrota no Governo do Estado. O que parecia ser um ativo estratégico, no entanto, virou alvo. Ter muitos quadros competitivos atraiu o interesse de outras siglas — e abriu caminho para o atual processo de esvaziamento.
OPOSIÇÃO FORTE, MAS COM PRAZO DE VALIDADE
Durante boa parte da legislatura, o partido conseguiu impor dificuldades à gestão da governadora Raquel Lyra. Com articulação e o respaldo do presidente da Casa, Álvaro Porto, o PSB mostrou que, mesmo fora do poder executivo, era capaz de influenciar votações e pautas importantes. Foi uma oposição organizada, barulhenta e, em muitos momentos, eficiente. Mas esse cenário começa a se desfazer com a chegada da janela partidária.
JANELA PARTIDÁRIA ESCANCARA DEBANDADA
A janela partidária não criou o problema — apenas revelou o que já estava sendo desenhado nos bastidores. O PSB virou vitrine. Partidos aliados ao governo e outras legendas passaram a disputar seus nomes mais fortes, provocando uma verdadeira revoada. O resultado é um redesenho acelerado do mapa político dentro da Alepe.
SAÍDA DE GLEIDE ÂNGELO É O SÍMBOLO DO ENFRAQUECIMENTO
A saída da deputada Gleide Ângelo para o PP foi mais do que uma simples troca de partido — foi um divisor de águas. Uma das mais votadas do estado, sua migração representa perda de capital político e reforço direto a outra legenda. É o tipo de movimento que pesa não só na matemática da bancada, mas na moral interna do partido.
EFEITO DOMINÓ AMEAÇA DESMONTAR A BANCADA
Outros nomes seguiram ou devem seguir o mesmo caminho. Jarbas Filho já deixou o partido, enquanto Diogo Moraes, Waldemar Borges, France Hacker, Dannilo Godoy e Aglailson Victor também se movimentam fora da sigla. O que era maioria pode virar minoria em questão de dias.
CAYO ALBINO SEGURA A LINHA DE FRENTE DA OPOSIÇÃO
Em meio à debandada, um nome se destaca pela permanência: o deputado Cayo Albino. Líder da oposição na Alepe, ele mantém fidelidade ao PSB e se torna peça-chave para evitar um colapso ainda maior da bancada. Sua postura garante ao partido um mínimo de organização e identidade num momento de dispersão política.
NÚCLEO DURO RESISTE, MAS COM FORÇA REDUZIDA
Devem permanecer no partido nomes como Sileno Guedes, Rodrigo Farias, Simone Santana, Eriberto Filho e Francismar Pontes. Ainda assim, a projeção é de uma bancada reduzida a cerca de cinco ou seis parlamentares — um encolhimento drástico para quem já foi dominante.
RECONFIGURAÇÃO DA ALEPE ANTECIPA DISPUTA DE 2026
O que acontece agora na Alepe não é apenas rearranjo partidário — é prévia eleitoral. De um lado, a base da governadora Raquel Lyra se fortalece. Do outro, o grupo liderado pelo prefeito do Recife, João Campos tenta preservar espaço político. O PSB entra nesse jogo menor do que começou.
DE GIGANTE A COADJUVANTE?
A pergunta que fica no ar é direta: o PSB conseguirá manter relevância com uma bancada encolhida? Hoje, os sinais indicam dificuldade. Em política, tamanho é poder — e perder tamanho, quase sempre, significa perder influência.
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