quinta-feira, 26 de março de 2026

COLUNA POLÍTICA | DIA DECISIVO PARA O UNIÃO PROGRESSISTA| NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO


UNIÃO-PP REDEFINE O JOGO EM PERNAMBUCO E COLOCA EDUARDO DA FONTE NO CENTRO DO PODER

A FEDERAÇÃO QUE NASCE GRANDE E CHEGA PESADA AO TABULEIRO DE 2026

A homologação da federação entre União Brasil e Progressistas, marcada para esta quinta-feira no Tribunal Superior Eleitoral, não é apenas mais um ato burocrático do calendário político nacional. Trata-se de um movimento com potencial de alterar profundamente o equilíbrio de forças em Pernambuco, especialmente na disputa pelo Senado em 2026. Ao unir estruturas, recursos e estratégias por pelo menos quatro anos, a nova federação nasce como a maior força partidária do país — e, no estado, chega provocando rearranjos que já começaram a produzir efeitos concretos.

UM GIGANTE POLÍTICO COM PODER DE DEFINIR ELEIÇÕES

A federação União-PP surge com números que impressionam: mais de 100 deputados federais, uma bancada robusta no Senado e cerca de 1,3 mil prefeitos espalhados pelo Brasil. Isso significa, na prática, acesso privilegiado a recursos do fundo eleitoral — estimados em quase R$ 900 milhões — além de um dos maiores tempos de rádio e televisão nas campanhas.

Esse capital político transforma a federação em peça-chave nas articulações nacionais e estaduais. Em Pernambuco, esse peso pode ser determinante para definir quem entra — e quem fica de fora — das principais chapas majoritárias.

EDUARDO DA FONTE: DE ISOLADO A PROTAGONISTA

O deputado federal Eduardo da Fonte vive um momento de inflexão política. Após ver sua relação estremecer com a governadora Raquel Lyra e perder espaço no governo estadual, ele agora ressurge fortalecido com a confirmação de que deverá comandar a federação em Pernambuco.

Esse novo posto muda completamente sua posição no jogo: de coadjuvante em um cenário adverso para peça central nas decisões estratégicas, com poder de influenciar diretamente a formação de chapas e alianças.

A VIRADA DOS COELHO E O MOVIMENTO CALCULADO

Do outro lado do tabuleiro, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho protagonizou uma mudança de rota significativa. Após iniciar sua pré-campanha próximo ao prefeito do Recife, João Campos, viu seu espaço encolher diante da consolidação de alianças com Marília Arraes e Humberto Costa.

Sem espaço, Miguel se reposicionou com habilidade e migrou para o grupo de Raquel Lyra, onde rapidamente passou a ser tratado como pré-candidato ao Senado com respaldo nacional.

ANTÔNIO COELHO E O JOGO DUPLO NA ALEPE

A movimentação da família Coelho não se limita ao Executivo. Na Assembleia Legislativa, Antônio Coelho passou de opositor firme a uma figura mais pragmática.

Mesmo negando mudança de postura, seus movimentos recentes indicam uma estratégia sofisticada: ora facilitando pautas do governo, ora criando dificuldades pontuais. O comportamento tem sido interpretado como uma forma de pressionar por სივრც espaço político e administrativo dentro da gestão estadual.

RAQUEL LYRA ENTRE O REFORÇO E O RISCO

Para Raquel Lyra, o novo cenário é ao mesmo tempo promissor e delicado. A entrada do União Brasil em sua base amplia sua força política, mas também eleva o nível de complexidade na montagem da chapa.

A possibilidade de ter dois nomes fortes disputando o Senado — Eduardo da Fonte e Miguel Coelho — pode fortalecer a candidatura majoritária, mas também gerar disputas internas difíceis de administrar.

JOÃO CAMPOS REORGANIZA SEU CAMPO

Enquanto isso, João Campos consolida seu próprio bloco político com nomes de peso da esquerda e do centro. Ao garantir alianças com Marília Arraes e Humberto Costa, o prefeito do Recife redesenhou seu palanque, deixando pouco espaço para lideranças que não se encaixassem na nova estratégia.

Essa reorganização acabou, indiretamente, empurrando Miguel Coelho para o campo adversário — um movimento que pode ter impacto direto na disputa estadual.

O TEMPO DE TV COMO MOEDA DE TROCA

Mais do que cargos ou alianças, um dos ativos mais valiosos da federação é o tempo de televisão. Em campanhas cada vez mais profissionalizadas, esse recurso pode ser decisivo para impulsionar candidaturas.

É justamente esse trunfo que pode permitir a Eduardo da Fonte tentar uma reaproximação com Raquel Lyra, oferecendo musculatura eleitoral em troca de espaço político.

UM QUEBRA-CABEÇA AINDA LONGE DE SER MONTADO

Apesar da força da federação, o cenário está longe de definido. Nomes como Fernando Dueire ainda orbitam como possíveis candidatos ao Senado ou à vice-governadoria. Além disso, existe a possibilidade de inclusão de um nome mais alinhado à esquerda na chapa de Raquel, numa tentativa de ampliar seu alcance eleitoral.

No plano nacional, líderes como Ciro Nogueira e Antônio Rueda terão a missão de conter conflitos estaduais e garantir coesão interna — um desafio que já se mostra complexo em diversos estados.

O PODER MUDOU DE LUGAR — E O JOGO ESTÁ ABERTO

A federação União-PP não apenas cria um gigante político; ela redefine prioridades, reposiciona lideranças e embaralha alianças. Em Pernambuco, o movimento reposiciona Eduardo da Fonte no centro das decisões e transforma a família Coelho em peça-chave de um novo arranjo de poder.

Mais do que definir candidaturas, o que está em curso é uma disputa por protagonismo dentro de um novo eixo político. E, como toda grande mudança, ela não encerra o jogo — apenas inaugura uma nova fase, mais complexa, imprevisível e decisiva para 2026.


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