quarta-feira, 18 de março de 2026

EDUARDO DA FONTE REAGE A EXONERAÇÕES DE RAQUEL LYRA, NEGA ACORDO COM JOÃO CAMPOS E ELEVA TOM NA DISPUTA POLÍTICA EM PERNAMBUCO

O cenário político de Pernambuco ganhou novos contornos de tensão nesta semana após a decisão da governadora Raquel Lyra de exonerar indicados do Partido Progressistas (PP) em órgãos estratégicos do Estado, como o Ceasa, o Lafepe e o Porto do Recife. A medida provocou reação imediata do presidente estadual da sigla, o deputado federal Eduardo da Fonte, que classificou a iniciativa como “precipitada” e reforçou que o momento político ainda exige cautela, diálogo e articulação mais ampla.

Em declaração ao Blog Dantas Barreto, Eduardo da Fonte tratou de afastar especulações sobre uma possível aproximação com o grupo do prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos. Segundo ele, apesar das movimentações intensas nos bastidores, não há qualquer acordo firmado. “Todo mundo está conversando com todo mundo. Não tem acordo com João Campos”, afirmou, deixando claro que o jogo político segue aberto e em construção.

O parlamentar também chamou atenção para o timing da decisão do Governo do Estado, destacando que as exonerações ocorreram no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral marcou para o próximo dia 26 a homologação da Federação União Progressista — aliança que reunirá PP e União Brasil. Para Eduardo, a coincidência levanta questionamentos e reforça a necessidade de cautela antes de qualquer definição mais contundente sobre alianças para 2026.

Com experiência acumulada em seis eleições, o dirigente progressista fez questão de enfatizar sua independência nas decisões políticas. “Estou nesse processo há seis eleições e ninguém vai me pautar sobre o que vou fazer”, declarou, sinalizando que não pretende se deixar pressionar por movimentos externos, sejam eles do Palácio do Campo das Princesas ou de grupos adversários.

Eduardo da Fonte destacou ainda que qualquer discussão sobre alianças, composição de chapas ou definição de candidaturas majoritárias só ocorrerá após a formalização da federação partidária. Ele reforçou que, a partir desse momento, as decisões passarão a ser tomadas de forma colegiada, levando em consideração fatores estratégicos como tempo de televisão e acesso ao Fundo Eleitoral — elementos decisivos em disputas de grande porte.

Nesse contexto, o deputado deixou claro que não há portas fechadas para nenhum grupo político em Pernambuco. A sinalização amplia o leque de possibilidades e mantém o PP — e futuramente a federação — como peça-chave no xadrez eleitoral do Estado. “Tudo fica do jeito que está”, resumiu, indicando que o partido seguirá dialogando com diferentes forças até que haja um cenário mais consolidado.

Outro ponto que permanece em aberto é a disputa pelo Senado. Eduardo evitou antecipar qualquer definição sobre o tema, ressaltando que não pretende impor uma candidatura pessoal. “Não serei candidato de mim mesmo”, disse, reforçando que a decisão também dependerá das negociações internas da federação.

Enquanto isso, o movimento político segue dinâmico. A Federação União Progressista contará, além de Eduardo da Fonte, com o ex-prefeito de Petrolina e presidente do União Brasil em Pernambuco, Miguel Coelho, que já se coloca como pré-candidato ao Senado e, inclusive, recebeu convite da própria governadora Raquel Lyra para integrar a base governista.

Diante desse cenário, a política pernambucana entra em uma fase ainda mais estratégica, marcada por gestos, sinais e reposicionamentos. As exonerações promovidas pelo governo, longe de encerrar um ciclo, parecem ter aberto um novo capítulo de negociações, onde cada movimento será decisivo para a formação das alianças que irão definir os rumos das eleições de 2026.

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