O jingle, que pretendia fixar o nome de Flávio na cabeça do eleitor, acabou desarmando a própria candidatura. Dirigentes do Centrão, blocos que detêm influência decisiva no Congresso e que poderiam compor alianças estratégicas, viram-se atacados de forma desnecessária e gratuita. A letra, mais provocativa do que persuasiva, transformou uma tentativa de marketing político em um episódio de constrangimento público, expondo o quanto o senador ainda precisa aprender a equilibrar retórica agressiva com pragmatismo político.
Nos dias seguintes, a retratação não poderia ter sido mais clara: a assessoria de Flávio disse que o material não havia sido aprovado e que jamais deveria ter sido usado, admitindo tacitamente que a música foi um tiro no pé. A campanha prometeu maior cautela nos próximos eventos, tentando recuperar aliados irritados e salvar a própria imagem diante de partidos que agora observam cada movimento com desconfiança.
O episódio mostra que, no mundo real da política, provocação gratuita contra possíveis parceiros não é sinal de força, mas de inexperiência. Flávio Bolsonaro queria agitar a campanha, mas acabou provando que até um simples jingle pode se transformar em desastre político quando a agressão se sobrepõe à estratégia. A lição é clara: no jogo do Centrão, ousadia sem cuidado custa caro — e ele já começou a pagar a conta.
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