sábado, 7 de março de 2026

JOÃO CAMPOS DEFENDE MIGUEL COELHO, REFORÇA ALIANÇA COM O PT E MANDA RECADO DURO CONTRA CANDIDATURAS AVULSAS EM PERNAMBUCO

Em meio ao aquecimento do cenário político para as eleições de 2026, o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, resolveu deixar claro qual será a linha política da frente que pretende liderar em Pernambuco: unidade entre aliados, construção coletiva da chapa e nenhuma simpatia por candidaturas que tentem disputar isoladamente fora do arranjo político principal. A declaração veio acompanhada de um gesto de defesa pública ao ex-prefeito de Petrolina e pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho, mesmo após a recente operação da Polícia Federal que colocou o nome do dirigente do União Brasil no centro de investigações.

A operação, batizada de Operação Vassalos, realizada no final de fevereiro, apura suspeitas de um suposto esquema envolvendo desvio de recursos públicos ligados a emendas parlamentares e irregularidades em processos licitatórios. Questionado por jornalistas sobre se o episódio alteraria o espaço político de Miguel Coelho dentro das articulações para o Senado, João Campos preferiu adotar uma postura cautelosa e afirmou que não cabe à política antecipar julgamentos.

Segundo o prefeito, prejulgar pessoas ou fatos pode levar a injustiças e comprometer o debate democrático. Na avaliação do socialista, Miguel Coelho possui trajetória administrativa consolidada e reconhecimento político em sua base eleitoral. Campos destacou que o aliado governou Petrolina com altos índices de aprovação popular e construiu uma liderança relevante dentro do cenário político estadual. Para o prefeito do Recife, esses elementos precisam ser considerados antes de qualquer conclusão precipitada.

As declarações foram dadas na manhã da sexta-feira (6), momentos antes da inauguração da primeira etapa do Parque Linear do Rio Pina, localizado na Vila Icapuí, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. A obra, que representa uma importante intervenção urbana em uma área historicamente marcada por ocupações precárias, contou com investimento de cerca de R$ 5,2 milhões. O espaço foi implantado em uma região que anteriormente abrigava cerca de 400 palafitas e moradias improvisadas, e a requalificação deverá beneficiar aproximadamente 12 mil moradores de seis comunidades da região com melhorias urbanísticas, áreas de convivência e infraestrutura.

Mas se o evento tinha caráter administrativo, o debate político acabou ocupando espaço central nas declarações do prefeito. Ao falar sobre a composição da chapa majoritária que deverá disputar o governo estadual, João Campos foi direto ao descartar a possibilidade de candidaturas avulsas ao Senado dentro do campo aliado. O gestor afirmou que existe um modelo político consolidado no país que prevê uma estrutura clara de composição: uma candidatura ao governo, uma vaga para vice e duas candidaturas ao Senado.

Segundo ele, esse arranjo não é uma particularidade de Pernambuco, mas uma prática política replicada em diversas alianças partidárias no Brasil. O prefeito explicou que essa lógica permite maior organização eleitoral e evita a dispersão de votos entre aliados que, na prática, deveriam caminhar juntos em um mesmo projeto político.

A posição de Campos está alinhada com o entendimento do PT nacional e foi reforçada após reunião em Brasília com o presidente do partido, Edinho Silva. Também participaram do encontro o senador Humberto Costa e o deputado federal Carlos Veras. Nos bastidores, dirigentes petistas defendem que o campo progressista em Pernambuco precisa evitar a fragmentação eleitoral, especialmente nas disputas para o Senado, onde o excesso de candidaturas pode favorecer adversários políticos.

Dentro desse contexto, a fala de João Campos acabou sendo interpretada como uma crítica indireta a projetos individuais que tentam se lançar fora de uma composição mais ampla. O recado ganha peso diante da movimentação da ex-deputada federal Marília Arraes, que já anunciou disposição de disputar uma vaga no Senado mesmo sem integrar necessariamente uma chapa majoritária. Para setores da política estadual, candidaturas avulsas nesse tipo de disputa costumam funcionar mais como gestos de afirmação individual do que como projetos competitivos de vitória.

Na prática, o que o prefeito do Recife sinaliza é que o caminho defendido por sua articulação política passa pela construção de alianças sólidas e pela definição coletiva de nomes, evitando aventuras eleitorais isoladas que possam fragmentar forças e enfraquecer o campo político aliado. João Campos também reforçou que nenhuma decisão sobre a composição da chapa será tomada individualmente.

Segundo ele, a definição de quem ocupará os espaços de vice-governador e das duas vagas ao Senado será fruto de negociação entre os partidos que integram a frente política em construção. O prefeito destacou que candidaturas majoritárias exigem consenso, capacidade de diálogo e apoio partidário amplo, já que ninguém se torna candidato apenas pela vontade própria.

Durante a entrevista, Campos ainda comentou a possibilidade de participação do atual ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em uma eventual composição da chapa majoritária. Sem confirmar qualquer definição, o prefeito preferiu adotar um tom de respeito político e pessoal, destacando que possui relação de amizade e parceria com o ministro, além de reconhecer sua trajetória na vida pública.

Com a abertura da janela partidária, que segue até o início de abril, o ambiente político tende a ficar ainda mais movimentado em Pernambuco. Conversas, articulações e rearranjos partidários devem intensificar as negociações que definirão as alianças para a disputa estadual. Nesse cenário, João Campos procura se posicionar como um articulador de unidade política, enquanto tenta consolidar uma frente ampla capaz de sustentar sua provável candidatura ao governo do estado.

Ao mesmo tempo em que evita julgamentos precipitados sobre aliados e defende a construção coletiva das decisões, o prefeito deixa claro que, em sua visão, a política majoritária não comporta improvisos. E, se depender de sua estratégia, quem quiser disputar espaços relevantes no tabuleiro eleitoral pernambucano terá que fazê-lo dentro de um projeto político coletivo — e não em aventuras solitárias que mais dividem do que constroem.

Nenhum comentário: