terça-feira, 31 de março de 2026

JUSTIÇA ABSOLVE PADRE AIRTON FREIRE EM CASO DE GRANDE REPERCUSSÃO EM PERNAMBUCO

A decisão da Justiça de Pernambuco que absolveu o padre Airton Freire, anunciada nesta segunda-feira (30), marca um dos desfechos mais emblemáticos de um caso que mobilizou opinião pública, comunidade religiosa e autoridades ao longo dos últimos anos. A informação foi divulgada pela equipe de defesa do religioso, que enfrentava acusações graves desde 2023.

O processo teve origem após denúncias feitas pela personal stylist Sílvia Tavares, que acusou o padre de estupro dentro das dependências da Fundação Terra, instituição sediada em Arcoverde e conhecida por suas ações sociais no Sertão pernambucano. À época, o caso ganhou ampla repercussão, não apenas pela gravidade das acusações, mas também pela relevância social e religiosa do acusado.

O julgamento foi conduzido pelo juiz Felipe Marinho dos Santos, titular da Vara Única de Buíque, no Agreste. De acordo com a defesa, a sentença concluiu que não houve comprovação suficiente para sustentar as acusações. Segundo o entendimento judicial, as provas periciais apresentadas ao longo da investigação, conduzida pela Polícia Civil e acompanhada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), entraram em contradição com os relatos da denunciante.

Por tramitar sob segredo de Justiça, detalhes mais aprofundados da decisão não foram oficialmente divulgados. Ainda assim, advogados que atuaram no caso afirmam que a perícia técnica teve papel determinante para o desfecho. A advogada Mariana Carvalho destacou que os elementos analisados no processo indicaram inconsistências entre as versões apresentadas publicamente e os dados técnicos colhidos durante a investigação.

Outro ponto relevante da decisão foi a absolvição do motorista Jailson Leonardo da Silva, que também respondia por suposta participação nos crimes. Assim como o padre, ele estava preso desde 2023, quando as denúncias vieram à tona.

O advogado Eduardo Trindade, que integrou a equipe de defesa ao lado de Marcelo Leal, classificou o processo como tecnicamente complexo. Segundo ele, a dificuldade se deu tanto pelo volume de depoimentos quanto pela natureza sensível das acusações, especialmente em um contexto em que relatos de vítimas têm ganhado maior peso jurídico nos tribunais brasileiros.

A prisão preventiva do padre, decretada em julho de 2023 e posteriormente convertida em domiciliar, foi revogada com a nova decisão. Com isso, o religioso deixa de responder às acusações na esfera criminal, ao menos neste processo.

O caso, no entanto, deixa marcas profundas. Durante o período das investigações, a Fundação Terra e a trajetória do padre Airton Freire passaram por intenso escrutínio público. A instituição, reconhecida por seu trabalho social em áreas vulneráveis, viu sua imagem diretamente impactada pelas denúncias.

Agora, com a absolvição, abre-se um novo capítulo — tanto na vida do religioso quanto no debate público sobre denúncias, provas e os limites entre acusação e condenação no sistema de Justiça.

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