sábado, 7 de março de 2026

MENEGUELLI MUDA PARA O PSD E REACENDE DISPUTA PELO SENADO NO ESPÍRITO SANTO, COM DIREITA DIVIDIDA E CENÁRIO ELEITORAL EM ABERTO

A corrida pelo Senado no Espírito Santo ganhou um novo capítulo com a decisão do deputado estadual Sérgio Meneguelli de trocar o Republicanos pelo Partido Social Democrático (PSD). A mudança ocorreu logo no início da janela partidária e já era considerada esperada por analistas do cenário político capixaba. Ao confirmar a filiação, Meneguelli também reafirmou sua intenção de disputar exclusivamente uma vaga no Senado em 2026, decisão que mantém o campo da direita fragmentado e aumenta a concorrência entre os pré-candidatos que buscam espaço na disputa.

A filiação ao PSD foi anunciada após um encontro com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e simboliza uma tentativa de reorganização política após a frustração vivida nas eleições de 2022. Na ocasião, Meneguelli afirma ter sido surpreendido ao saber, praticamente na reta final do processo eleitoral, que não seria mais candidato ao Senado pelo Republicanos. O episódio ficou marcado em seu discurso político como uma “rasteira” interna, experiência que agora influenciou sua decisão de escolher uma nova sigla onde acredita ter maior autonomia para disputar o cargo.

Além da aproximação com Kassab, pesou na escolha do PSD a relação política construída com o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, que já integra o partido e se tornou um dos principais aliados de Meneguelli no Estado. Durante a eleição municipal de 2024, o deputado apoiou a candidatura de Renzo em uma disputa considerada acirrada contra o então prefeito Guerino Balestrassi, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Agora, o prefeito retribui o apoio garantindo que Meneguelli terá liberdade para disputar o cargo que desejar dentro da legenda, inclusive o Senado.

Nos bastidores da política capixaba, chegou a circular nas últimas semanas a possibilidade de filiação do deputado ao MDB, partido do vice-governador e pré-candidato ao governo estadual Ricardo Ferraço. No entanto, essa alternativa acabou sendo descartada. Analistas avaliam que Meneguelli poderia se tornar uma figura deslocada dentro do grupo político do governador Renato Casagrande, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que lidera atualmente o principal bloco de centro-direita no Estado.

A movimentação do deputado também impacta outros nomes que vinham sendo citados como possíveis candidatos ao Senado. Um deles é o ex-governador Paulo Hartung, cuja eventual candidatura passa a ser considerada menos provável diante do novo arranjo político. Com Meneguelli consolidando sua intenção de disputar a vaga, cresce a disputa interna no campo conservador, especialmente entre os aliados do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, que também se movimenta para ampliar seu protagonismo nas eleições de 2026.

Entre os nomes que orbitam essa articulação está o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Após ter suas pretensões de disputar o governo estadual barradas dentro do grupo político de Casagrande, Arnaldinho passou a se aproximar de Pazolini e de lideranças da direita que buscam construir um novo campo de forças no Estado.

Outro personagem que tenta consolidar espaço na corrida ao Senado é o deputado federal Evair de Melo, do Progressistas (PP). Ele é considerado um dos principais articuladores da pré-candidatura de Pazolini ao governo e avalia inclusive a possibilidade de trocar de partido após a federação formada por PP e União Brasil sinalizar apoio ao projeto eleitoral de Ricardo Ferraço. A movimentação partidária pode redesenhar ainda mais o tabuleiro político capixaba.

Evair também esteve recentemente no centro de uma polêmica após a divulgação de uma lista de possíveis palanques estaduais do Partido Liberal (PL), documento que gerou dúvidas sobre o futuro da candidatura ao Senado do senador Magno Malta e até sobre a possibilidade de o partido lançar um palanque próprio no Estado. O episódio acabou ampliando as tensões internas no campo da direita.

Em resposta às disputas e ruídos políticos, lideranças mais alinhadas à ala conservadora promoveram uma reunião de alinhamento para discutir a formação de uma frente unificada para 2026. Participaram do encontro, entre outros nomes, o deputado federal Gilvan da Federal e o deputado estadual Callegari, atualmente no Democracia Cristã (DC). Apesar do discurso de unidade, a quantidade de pré-candidatos interessados na vaga torna cada vez mais difícil a construção de uma candidatura única do campo conservador.

Outro nome que se mantém na disputa é o vereador de Vitória Leonardo Monjardim, do Partido Novo. A legenda já indicou que pretende lançar candidatura própria ao Senado independentemente das alianças majoritárias, estratégia que busca ampliar a visibilidade do partido no Espírito Santo.

Enquanto a direita apresenta um quadro de forte fragmentação, o grupo político liderado por Renato Casagrande tem menos nomes colocados na disputa. O próprio governador já sinalizou que pretende deixar o cargo em abril para disputar uma vaga no Senado, sendo apontado por analistas como um dos favoritos. Entre os possíveis aliados na composição da chapa aparece o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, também do MDB.

Outro nome cotado nesse campo é o deputado federal Da Vitória, presidente estadual da federação formada por União Brasil e Progressistas. Já a ex-senadora Rose de Freitas também demonstra interesse em retornar ao Congresso, embora seu capital político seja considerado menor em comparação com disputas anteriores.

No campo da esquerda, o cenário ainda é mais enxuto. O senador Fabiano Contarato, do Partido dos Trabalhadores, pretende disputar a reeleição e já conta com a sinalização de apoio da legenda à possível candidatura de Casagrande como segundo nome ao Senado. Ainda assim, partidos como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) podem lançar candidaturas próprias, dependendo das negociações que ocorrerão nos próximos meses.

Outro ponto de incerteza envolve o atual senador Marcos do Val, filiado ao Podemos. Embora ainda não tenha definido publicamente seus próximos passos, há dúvidas sobre a possibilidade de disputar a reeleição, sobretudo porque o partido já demonstrou proximidade com o grupo político de Casagrande.

Enquanto as articulações avançam e novas alianças são costuradas, o cenário eleitoral capixaba para o Senado segue aberto e imprevisível. A entrada definitiva de Sérgio Meneguelli na disputa amplia a competição e reforça a percepção de que, ao menos neste momento, a construção de uma frente única da direita no Espírito Santo parece cada vez mais distante.

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