sexta-feira, 13 de março de 2026

O JOGO DO RESTA UM - GEOVANI OLIVEIRA


Geovani Oliveira
O cenário político de Pernambuco começa a se afunilar com a abertura e o pleno vigor da chamada janela partidária. Esse período, que permite a mudança de legenda sem perda de mandato, funciona como um verdadeiro tabuleiro de xadrez onde cada movimento pode redefinir o jogo eleitoral de 2026.

No centro dessa disputa estão dois protagonistas que, ao que tudo indica, deverão se enfrentar nas urnas de outubro: João Campos e Raquel Lyra. A partir desse embate, começa a formação dos chamados “pelotões de combate”, isto é, as chapas majoritárias que reúnem governador, vice-governador, dois candidatos ao Senado e o palanque presidencial.

Nesse cenário, uma das vagas ao Senado já aparece praticamente definida. Trata-se do senador Humberto Costa, que deverá buscar a consolidação do seu terceiro mandato integrando a chapa liderada pelo PSB de João Campos. Assim, das quatro posições de maior destaque na composição política, duas vagas ao Senado somadas às articulações de alianças, resta um espaço real de disputa.

É justamente nesse ponto que entram os demais personagens desse enredo político. A ex-deputada federal Marília Arraes aparece como líder absoluta nas pesquisas para o Senado, consolidando-se como uma das peças mais desejadas para compor qualquer chapa competitiva. Ao seu lado surge o nome do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, figura de peso no cenário nacional e com forte base política no estado.

Também se apresenta como postulante relevante o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, liderança do sertão que mantém capital político expressivo e aspira protagonismo no próximo ciclo eleitoral.

Mas, como em todo bom jogo político, surge sempre um movimento inesperado. O chamado “coringa” do tabuleiro é o deputado federal Eduardo da Fonte. Experiente, habilidoso e conhecido por sua capacidade de articulação, Eduardo é frequentemente descrito como um verdadeiro “ninja” da política, um estrategista que joga como poucos e raramente entra em uma disputa sem calcular todas as possibilidades.

Se a governadora Raquel Lyra consolidar uma composição com Marília Arraes e Silvio Costa Filho, o tabuleiro passa a ter uma configuração curiosa. Restaria então apenas um espaço relevante para acomodar duas lideranças de peso: Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, no palanque do PSB de João Campos. 

E é justamente aí que o cenário político pernambucano se transforma em algo muito parecido com um jogo clássico da infância: o jogo do resta um.

No final da rodada, apenas uma peça permanece no tabuleiro.

A pergunta que começa a ecoar nos bastidores da política é inevitável:
quem será o último a permanecer no jogo?  Não é difícil imaginar. 

*Advogado, ex-prefeito de Itaquitinga na Mata Norte.

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