De acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel vendido no Brasil está cerca de 85% abaixo do preço praticado no exterior. Essa diferença significa que, para acompanhar os valores internacionais, o combustível poderia sofrer um reajuste de aproximadamente R$ 2,74 por litro nas refinarias.
A situação preocupa o mercado porque uma parte significativa do diesel consumido no país depende de importação. Atualmente, cerca de 30% do combustível utilizado no Brasil vem de fora. Diante da incerteza sobre se haverá ou não reajuste nos preços internos, importadores decidiram suspender novas compras, temendo prejuízos caso adquiram o produto mais caro no exterior e não consigam repassar o valor ao mercado brasileiro.
Segundo representantes do setor, desde o início da escalada da crise internacional praticamente não chegaram novas cargas de diesel ao país. Com isso, o abastecimento passou a depender dos estoques existentes, que, segundo estimativas do próprio mercado, garantiriam o fornecimento por cerca de duas semanas. Caso o cenário se prolongue sem definição sobre preços, o risco de desabastecimento começa a ser considerado por especialistas.
A preocupação aumenta porque as refinarias privadas que atuam no Brasil não têm capacidade suficiente para suprir toda a demanda. A Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia e controlada pela empresa Acelen, responde por cerca de 14% do mercado nacional e já anunciou um aumento de 26% no preço do diesel apenas neste mês. Mesmo assim, o valor ainda apresenta uma defasagem de cerca de 42% em relação ao mercado internacional.
Com a oferta limitada, empresas distribuidoras passaram a intensificar a busca por combustível nas refinarias da Petrobras, o que tem provocado aumento na procura e formação de filas em algumas unidades. Para profissionais do setor, a situação não pode se prolongar por muito tempo sem que haja um ajuste no mercado, sob risco de comprometer o abastecimento em diferentes regiões do país.
No caso da gasolina, o cenário é considerado menos crítico. Apenas cerca de 10% do consumo nacional depende de importações, o que reduz o impacto imediato da crise externa. Ainda assim, o produto também apresenta defasagem em relação ao mercado internacional, atualmente estimada em cerca de 49%. Caso fosse totalmente corrigida, o preço da gasolina poderia subir aproximadamente R$ 1,22 por litro nas refinarias.
A alta global do petróleo está diretamente ligada ao aumento das tensões no Oriente Médio, envolvendo potências internacionais e países da região. A expectativa inicial de que o conflito teria rápida resolução não se confirmou, e novos ataques a infraestruturas energéticas passaram a afetar rotas importantes de fornecimento de petróleo.
Um dos pontos mais sensíveis do cenário atual é o Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo do planeta. Qualquer interrupção prolongada nessa região pode provocar um choque de oferta no mercado internacional e pressionar ainda mais os preços da energia.
Diante do avanço da crise, líderes do grupo das maiores economias do mundo discutem a possibilidade de liberar reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a escalada dos preços. A medida já foi adotada em momentos de tensão internacional, como no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.
Especialistas avaliam, porém, que essa estratégia pode trazer apenas um alívio temporário. Enquanto não houver estabilidade no Oriente Médio e reposição do volume de petróleo que deixou de chegar ao mercado global, a tendência é de que os preços continuem pressionados.
No Brasil, o impacto de uma eventual alta no diesel pode ir muito além dos postos de combustíveis. Como o produto é fundamental para o transporte de cargas e passageiros, qualquer aumento significativo tende a refletir diretamente no custo do frete, no preço dos alimentos e em diversos serviços da economia.
Para motoristas e consumidores, a preocupação já começa a crescer. Em muitas regiões do país, especialmente no interior, os combustíveis já apresentam valores elevados. Caso o reajuste se confirme, a tendência é que o peso no bolso do brasileiro aumente ainda mais nas próximas semanas.
Enquanto o cenário internacional segue instável e o petróleo continua em alta, o mercado aguarda uma definição sobre os preços internos. Até lá, permanece no ar a dúvida que preocupa consumidores, transportadores e empresários: quanto custará abastecer nos próximos dias.
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