O evento, que deveria simbolizar unidade e alinhamento político rumo às eleições de 2026, foi marcado por ausências de peso. Entre elas, os deputados estaduais João Paulo, Doriel Barros e Rosa Amorim, figuras com forte influência dentro da sigla. A ausência dos parlamentares reforçou a percepção de que o consenso interno está longe de ser alcançado.
Mais emblemática, no entanto, foi a postura adotada pelos prefeitos petistas no estado. Dos seis gestores municipais eleitos pelo partido em Pernambuco, quatro não compareceram ao ato e já indicam, nos bastidores, que não seguirão a orientação da executiva estadual. Estiveram ausentes os prefeitos Gildo Dias, Branco de Geraldo, George Washington e Flávio Marques.
O movimento desses gestores não é isolado. Todos mantêm alinhamento político com a atual governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), o que sinaliza uma tendência de dissidência prática dentro do partido. Na leitura de analistas políticos, a fidelidade à gestão estadual pesa mais, neste momento, do que a orientação partidária, especialmente em municípios onde a relação com o governo do estado garante investimentos e sustentação administrativa.
Por outro lado, apenas dois prefeitos demonstraram alinhamento com a decisão do PT estadual e marcaram presença no anúncio. A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, e o prefeito de Correntes, Edmilson da Bahia, reforçaram apoio à construção política liderada pelo partido e à pré-candidatura de João Campos, indicando que parte da legenda ainda aposta na aliança com o PSB como caminho estratégico para 2026.
O cenário que se desenha é de um PT dividido entre a estratégia estadual definida pela cúpula e a realidade política dos municípios, onde alianças locais e interesses administrativos acabam determinando posicionamentos distintos. A dificuldade de unificação interna pode impactar diretamente a força do partido no processo eleitoral, fragilizando sua capacidade de articulação e mobilização em Pernambuco.
Com a aproximação das eleições, o desafio da legenda será administrar essas divergências e evitar que o racha se aprofunde, comprometendo não apenas o projeto majoritário, mas também o desempenho do partido nas disputas proporcionais e nas bases locais.
Informações do Blog do Alberes Xavier
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