domingo, 29 de março de 2026

RACHADURA NO PT DE PERNAMBUCO, DEPUTADOS ESTADUAIS ELEITOS PELO PARTIDO IGNORAM ATO E EXPÕEM RESISTÊNCIA AO APOIO A JOÃO CAMPOS

O anúncio oficial de apoio do Partido dos Trabalhadores à pré-candidatura do prefeito do Recife, João Campos, ao Governo de Pernambuco, realizado neste sábado (28), evidenciou mais do que uma aliança política: escancarou uma divisão interna significativa dentro da legenda no estado. Apesar de a direção estadual petista afirmar que 85% do partido referendou o acordo, a ausência de parte expressiva da bancada na Assembleia Legislativa revelou um cenário de desconforto e resistência.

Os deputados estaduais Doriel Barros, João Paulo e Rosa Amorim não compareceram à reunião do diretório estadual nem ao ato público que oficializou o apoio ao socialista. A ausência do trio, que compõe a base governista da atual gestora estadual, Raquel Lyra, reforça a leitura de que há divergências profundas quanto ao alinhamento político adotado pela cúpula do partido.

Em contraste, a deputada estadual Dani Portela, que recentemente migrou para o PT, marcou presença e foi escolhida para discursar em nome da bancada estadual. A participação de Portela chama atenção não apenas pelo protagonismo no evento, mas também pela mudança de postura política, já que, até pouco tempo, mantinha um posicionamento crítico à gestão de João Campos na capital pernambucana.

O ato foi conduzido pelo deputado federal e presidente estadual do PT, Carlos Veras, que demonstrou confiança na consolidação da aliança e no desempenho eleitoral do grupo nas eleições estaduais. Mesmo diante da ausência de nomes históricos e influentes dentro da legenda, a direção partidária tratou o movimento como um passo estratégico na construção de um palanque competitivo em Pernambuco.

Nos bastidores, no entanto, a leitura é de que a ausência dos três parlamentares não foi casual, mas sim um gesto político calculado, que sinaliza insatisfação com a aproximação do PT com o PSB no estado. A permanência desses deputados na base de apoio da governadora Raquel Lyra também adiciona um elemento de complexidade ao cenário, indicando que o partido pode enfrentar dificuldades para manter unidade durante o processo eleitoral.

A situação revela um PT dividido entre a estratégia institucional definida pela maioria da direção e a posição de lideranças que, na prática, adotam um alinhamento distinto na política estadual. O desdobramento dessa tensão interna poderá influenciar diretamente o desempenho da legenda nas eleições e o próprio equilíbrio das forças políticas em Pernambuco.

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