quinta-feira, 12 de março de 2026

RAQUEL LYRA REFORÇA BASE POLÍTICA COM RETORNO DE PSDB E CIDADANIA AO SEU CAMPO

A semana política em Pernambuco foi marcada por uma reconfiguração partidária que acabou fortalecendo a base da governadora Raquel Lyra. Em meio às articulações que já projetam o cenário eleitoral de 2026, dois partidos que possuem tradição no campo político do centro — PSDB e Cidadania — voltaram a gravitar em torno do Palácio do Campo das Princesas, ampliando o arco de sustentação do governo estadual.

O principal movimento ocorreu após a saída do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado estadual Álvaro Porto, do PSDB. O parlamentar anunciou sua filiação ao MDB em um gesto alinhado ao projeto político do prefeito do Recife, João Campos, que busca fortalecer a legenda emedebista no estado. A decisão, segundo o próprio Porto, faz parte da construção de um “projeto político coletivo” articulado no campo adversário ao governo estadual. 

Com a desfiliação, o PSDB estadual passou por uma mudança de comando e voltou a se aproximar politicamente da governadora. O diretório passou a ser presidido por Rubens Júnior, aliado de confiança de Raquel Lyra e ligado ao grupo político do governo. A mudança recolocou o partido dentro da órbita governista, encerrando um período de distanciamento político que havia se consolidado após disputas internas na legenda. 

O retorno tem forte simbolismo político. Raquel Lyra construiu grande parte de sua trajetória no PSDB — partido pelo qual foi eleita prefeita de Caruaru e governadora de Pernambuco — antes de migrar para o PSD em 2025 em busca de maior musculatura nacional para seu projeto político. Mesmo fora da sigla, manter o PSDB alinhado ao governo representa preservar uma base histórica e um conjunto de quadros políticos espalhados pelo interior do estado. 

Paralelamente, outro movimento reforçou o campo governista: a reaproximação do Cidadania, articulada em Pernambuco sob liderança de João Baltar. Embora seja uma legenda menor em termos de bancada, o partido integra historicamente o bloco de centro que atua em conjunto com o PSDB em diversos estados e eleições. As duas siglas chegaram a formar uma federação nacional em 2022 para superar as exigências da cláusula de barreira e garantir acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral. 

No contexto político pernambucano, a volta simultânea de PSDB e Cidadania à base tem impacto estratégico. Somados, os partidos ampliam a rede de lideranças municipais, fortalecem chapas proporcionais e contribuem para a construção de palanques regionais — fatores considerados decisivos em disputas estaduais, especialmente no interior.

Outro elemento relevante é que essa recomposição ocorre em meio à intensificação da polarização política entre o campo liderado pela governadora e o grupo político do prefeito do Recife, João Campos, apontado como potencial adversário em uma futura disputa pelo Governo de Pernambuco. A migração de Álvaro Porto para o MDB, legenda ligada ao prefeito, simboliza essa divisão de campos e evidencia que o tabuleiro político já começa a ser reorganizado com vistas às próximas eleições.

Na avaliação de analistas políticos, embora PSDB e Cidadania não possuam atualmente grande peso eleitoral isolado, ambos carregam tradição política, presença municipal e capacidade de articulação institucional. Em um estado onde alianças amplas costumam definir o resultado das eleições majoritárias, recuperar essas siglas para a base representa um ganho político relevante para o governo estadual.

Assim, ao final da semana, o saldo político foi positivo para Raquel Lyra. A governadora não apenas manteve sua base consolidada como também recuperou dois partidos que fazem parte da história recente de sua trajetória política. Mais do que um movimento administrativo dentro das siglas, a reorganização sinaliza que o jogo político de Pernambuco entrou em uma nova fase, na qual alianças partidárias começam a desenhar o cenário da disputa estadual que se aproxima.

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