domingo, 29 de março de 2026

RAQUEL LYRA SEGURA DEFINIÇÕES E INTENSIFICA ARTICULAÇÕES NA RETA FINAL DA JANELA PARTIDÁRIA EM PERNAMBUCO

A poucos dias do encerramento da janela partidária, marcado para 3 de abril, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), intensifica as conversas com partidos aliados para fechar a composição de sua chapa rumo à reeleição. Diferente do movimento antecipado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que já apresentou seus nomes para a disputa de outubro, a gestora estadual opta por manter o diálogo aberto, buscando um desenho político mais amplo e competitivo.

O cenário ganha contornos estratégicos com a recente homologação da Federação União Progressista pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), unindo União Brasil e Progressistas. A federação desponta como peça-chave na sustentação política de Raquel, indicando que os dois partidos devem ocupar posições centrais na chapa majoritária. Além deles, PSDB e Podemos também integram o bloco de apoio, ampliando o leque de negociações e interesses em jogo.

No tabuleiro eleitoral, o nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), aparece como praticamente consolidado para uma das vagas ao Senado. Próximo da governadora e presença constante em agendas públicas, Miguel já se colocou como pré-candidato e vem reforçando sua visibilidade política. Na última sexta-feira (27), ele acompanhou Raquel Lyra e a vice-governadora, Priscila Krause, durante a tradicional Paixão de Cristo em Fazenda Nova, no município do Brejo da Madre de Deus — evento que reúne lideranças políticas e reforça alianças nos bastidores.

No dia seguinte, Miguel voltou a destacar a parceria entre o Governo de Pernambuco e a LATAM Airlines para a retomada e ampliação de voos entre Recife e Petrolina, medida que, segundo ele, impulsionará o desenvolvimento econômico do Sertão. O movimento também é interpretado como um gesto político, fortalecendo sua imagem como articulador de investimentos e defensor da interiorização do crescimento.

Apesar do avanço na definição da primeira vaga ao Senado, a segunda cadeira segue em aberto e concentra as maiores incertezas. A possibilidade de aliança com Marília Arraes chegou a ser ventilada, mas foi descartada após a decisão dela de apoiar o projeto liderado por João Campos. Com isso, novas alternativas passaram a ser consideradas dentro do grupo governista.

Entre os nomes que ganham força está o do deputado federal Eduardo da Fonte (PP), presidente estadual da federação União Progressista e figura central nas articulações políticas do bloco. Sua atuação nos bastidores e o controle de uma estrutura partidária robusta o colocam como um dos principais postulantes à vaga.

Outro nome que circula no ambiente político é o do deputado federal Túlio Gadêlha (Rede), que poderia disputar o Senado dentro do grupo de Raquel Lyra, desde que concretize uma eventual mudança partidária — cenário que depende diretamente do prazo final da janela. A possível filiação ao PSD é vista como uma alternativa viável, mas ainda cercada de indefinições.

No campo da vice-governadoria, o cenário também permanece indefinido. A atual vice, Priscila Krause, teria sinalizado nos bastidores que não pretende disputar uma vaga no Senado e avalia retornar à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Caso essa movimentação se confirme, abre-se uma nova frente de negociação para a escolha de um candidato a vice, posição estratégica para consolidar alianças regionais e partidárias.

Com múltiplas peças ainda em movimentação, Raquel Lyra adota uma postura cautelosa, priorizando o diálogo e a construção de consenso entre os aliados. A estratégia busca evitar rupturas e garantir uma base sólida para enfrentar uma disputa que já se desenha acirrada, especialmente diante da antecipação do adversário socialista.

A definição final da chapa governista deve ocorrer nos próximos dias, em meio a intensas negociações e rearranjos partidários. Até lá, Pernambuco acompanha um xadrez político marcado por articulações silenciosas, interesses cruzados e decisões que podem redesenhar o cenário eleitoral do estado.

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