terça-feira, 17 de março de 2026

RAQUEL MOSTRA O QUANTO SABE JOGAR, VIRA O TABULEIRO E REDEFINE A DISPUTA POLÍTICA EM PERNAMBUCO

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, protagonizou uma das mais emblemáticas articulações políticas recentes no estado ao demonstrar, na prática, habilidade estratégica e capacidade de leitura de cenário. Em um movimento que parecia improvável até pouco tempo atrás, ela não apenas resistiu às investidas do campo adversário, como reorganizou completamente o tabuleiro político, alterando o rumo das alianças e da disputa pelo Senado.

O ponto de virada começou com uma decisão considerada arriscada: flexibilizar a relação com o Progressistas (PP), comandado em Pernambuco pelo deputado federal Eduardo da Fonte. Até então um dos pilares de sua base, o partido vinha se aproximando do prefeito do Recife, João Campos. Em vez de travar uma disputa direta para mantê-lo, Raquel optou por liberar o movimento, permitindo a ida de “Dudu” para a órbita do PSB.

Longe de representar uma perda, a decisão abriu espaço para uma jogada mais ampla e sofisticada. A governadora conseguiu atrair para seu grupo nomes de peso que, até o período do Carnaval, figuravam como aliados de João Campos. Entre eles, a ex-deputada federal Marília Arraes, o ministro dos Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho. A mudança de lado dessas lideranças teve efeito imediato e profundo no equilíbrio político estadual.

Do outro lado, a estratégia do PSB de fortalecer o palanque de João Campos com a chamada União Progressista — uma federação robusta, com ampla representação na Câmara Federal — parecia, à primeira vista, uma jogada de mestre. A expectativa era consolidar uma base ampla e eleitoralmente competitiva. No entanto, o impacto foi reduzido com a saída de figuras estratégicas da Frente Popular, o que esvaziou parte da força política esperada.

Nos bastidores, a avaliação predominante é de que Raquel Lyra atuou com frieza, paciência e visão de longo prazo. Enquanto o adversário se movimentava como em uma disputa de curto alcance, a governadora estruturava uma estratégia mais duradoura, focada na recomposição de forças e na construção de um palanque competitivo. Um aliado resumiu o cenário com uma metáfora que ganhou força: enquanto João Campos corria uma prova de 100 metros, Raquel se preparava para uma maratona — e agora começa a colher os resultados.

A reconfiguração política também atinge diretamente a corrida pelo Senado. De acordo com aliados, Miguel Coelho segue firme como pré-candidato, sem qualquer intenção de recuar ou deixar o União Brasil. A estratégia agora é tentar atrair a federação para o seu projeto, desta vez alinhado ao grupo de Raquel Lyra, e não mais ao de João Campos.

Se antes enfrentava dificuldades para apresentar nomes competitivos ao Senado, a governadora agora passa a contar com um leque mais amplo de opções e apoios, fortalecendo sua posição no cenário estadual. A movimentação evidencia não apenas habilidade política, mas também capacidade de antecipação e leitura estratégica.

Ao fim desse rearranjo, uma conclusão se impõe nos bastidores: Raquel mostrou o quanto sabe jogar. Mais do que reagir, ela redesenhou o jogo, atraiu peças-chave e reposicionou Pernambuco em uma disputa que, a partir de agora, promete ser ainda mais equilibrada, imprevisível e marcada por estratégias de alto nível.

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