Em vídeo divulgado nas redes sociais, Josimara não apenas resgatou sua trajetória política de três décadas, como também reforçou a imagem de coerência que busca sustentar junto ao eleitorado. “Minha caminhada sempre foi guiada por uma única caneta: a da verdade”, afirmou, ao destacar que construiu sua história política baseada na palavra e na confiança popular.
A ex-prefeita relembrou que a origem da aliança com o grupo adversário, liderado pelo ex-prefeito Geomarco Coelho, não foi simples. Segundo ela, o entendimento político foi resultado de diálogo intenso e construção coletiva. Após a morte de Geomarco, em 2017, Josimara assumiu a Prefeitura e, posteriormente, foi eleita em 2020, tornando-se a primeira mulher a comandar o município. Sua gestão, conforme pontuou, terminou com altos índices de aprovação, próximos dos 90%.
Nesse contexto, Corrinha foi incorporada ao núcleo central da administração, ocupando a Secretaria de Assistência Social e sendo preparada como sucessora natural do grupo. O acordo político incluía, ainda, o compromisso de apoio mútuo em projetos futuros — uma promessa que, segundo Josimara, foi quebrada de forma abrupta.
A mudança de cenário teria começado nas eleições de 2024. Mesmo eleita em chapa única e com apoio consolidado, Corrinha, de acordo com a ex-prefeita, passou a demonstrar distanciamento. “O que era sintonia virou frieza”, resumiu. O episódio mais simbólico desse afastamento, conforme relatado, ocorreu quando a atual prefeita, após anunciar apoio público à pré-candidatura de Josimara à Assembleia Legislativa, voltou atrás sem qualquer संवादo direto.
“Soube por terceiros. Depois, a confirmação veio por um vídeo nas redes sociais. Esperava mais respeito por tudo que construímos juntas”, afirmou, evidenciando o sentimento de quebra de confiança.
A crise política ganhou contornos ainda mais graves com as denúncias feitas por Josimara de suposta perseguição dentro da estrutura municipal. Segundo ela, servidores e secretários estariam sendo desligados de suas funções por manifestarem apoio à sua pré-candidatura. Vereadores aliados também estariam sofrendo pressão política.
“Defendo a democracia e sempre respeitei escolhas, inclusive quando ela apoiou outros deputados em 2018. Mas o que vemos agora é diferente: pessoas sendo penalizadas por suas posições”, declarou, ao fazer referência ao apoio dado por Corrinha, no passado, aos deputados Antonio Coelho e Fernando Filho, contrariando o grupo político da época — decisão que, segundo Josimara, foi respeitada sem retaliações.
Ao final de sua manifestação, a ex-prefeita buscou reposicionar sua pré-candidatura como um projeto coletivo, e não pessoal. Ela afirmou que sua entrada na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa nasce da demanda popular por maior representatividade do Sertão.
A crise entre as duas lideranças redesenha o cenário político de Dormentes e pode ter reflexos diretos nas articulações para 2026. O rompimento, além de simbólico, expõe fissuras internas de um grupo que, até então, era visto como coeso — e abre espaço para novos rearranjos políticos em uma região onde alianças costumam definir os rumos das urnas.
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