Nas duas tentativas anteriores, deputados aliados da governadora Raquel Lyra esvaziaram o plenário como forma de protesto contra o percentual aprovado pela Comissão de Finanças. O Governo defendia uma margem mais ampla, de 20%, argumentando que o índice maior garantiria mais flexibilidade na gestão dos recursos públicos ao longo do ano.
Apesar da resistência, Álvaro Porto endureceu o discurso e deixou claro que não pretende mais adiar a decisão. Segundo ele, o projeto já percorreu todas as etapas necessárias dentro da Casa e precisa ser definido. “Não tem sentido protelar. Ou aprova ou desaprova, e a governadora veja o que vai fazer”, afirmou, sinalizando que o impasse chegou a um ponto decisivo.
O movimento do presidente da Alepe também ocorre em meio a um ambiente de pré-campanha eleitoral já aquecido. Neste domingo, Porto deu a largada oficial à sua pré-candidatura à reeleição, em um evento realizado em Canhotinho, no Agreste pernambucano. Ao seu lado, esteve o filho, Gabriel Porto (PSB), que vai disputar uma vaga na Câmara Federal.
O ato político reuniu nomes de peso da oposição estadual, reforçando o tom de articulação para 2026. Entre os presentes estavam o prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), além da pré-candidata ao Senado, Marília Arraes (PDT), e o nome indicado para vice na chapa, Carlos Costa (Republicanos).
Durante o evento, Álvaro Porto destacou a importância simbólica de iniciar mais uma campanha em Canhotinho, município que considera decisivo em sua trajetória política. Em tom de mobilização, afirmou que o MDB trabalha com a meta de ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa, buscando eleger ao menos três deputados estaduais no próximo pleito.
A coincidência entre o avanço da pauta econômica na Alepe e o lançamento de pré-candidaturas evidencia o cruzamento entre gestão e disputa política em Pernambuco. De um lado, o Governo tenta preservar margem de manobra no orçamento; do outro, o Legislativo afirma sua autonomia e pressiona por maior controle sobre os recursos públicos.
Com a votação marcada mais uma vez, o desfecho do impasse pode redesenhar não apenas a relação entre os poderes, mas também influenciar diretamente o clima político no estado às vésperas de mais um ciclo eleitoral decisivo.
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