terça-feira, 7 de abril de 2026

CANETA, INTERRUPTOR E SILÊNCIO, ASSIM O PRESIDENTE DA CÂMARA DE ARCOVERDE TENTA PRESIDIR NO “ABAFA” E ENFRENTA REAÇÃO

O que aconteceu na noite de ontem, segunda-feira (6) em Arcoverde não foi apenas uma sessão conturbada — foi um retrato escancarado de até onde vai o impulso de controle quando a maioria decide caminhar em outra direção. No comando da Câmara de Vereadores de Arcoverde, Luciano Pacheco tentou, na prática, substituir o regimento pelo botão de desligar.

A sequência dos fatos é simples — e justamente por isso, incômoda. Vereadores, amparados pela maioria absoluta, decidiram seguir com a leitura de uma denúncia e avançar para uma sessão extraordinária. Era o rito. Era o previsto. Era o básico. Mas esbarrou na resistência da presidência, que resolveu transformar procedimento em disputa de força.

Sem conseguir barrar no argumento, veio a tentativa de barrar na marra. Primeiro, a obstrução da leitura. Depois, o gesto que escancarou tudo: transmissão ao vivo cortada, gravação interrompida e microfones desligados. Um pacote completo para tentar empurrar a sessão para a invisibilidade, como se o problema deixasse de existir se ninguém pudesse assistir.

Só que não funcionou.

Mesmo no escuro institucional criado pela própria presidência, os vereadores seguiram. Sem som oficial, sem transmissão e sem o conforto da formalidade, a sessão continuou — não por normalidade, mas por insistência. E isso diz muito. Quando o plenário precisa funcionar “no improviso” para garantir o que já está previsto nas regras, o problema deixa de ser técnico e passa a ser político.

Nos corredores, a leitura é direta: não foi apenas uma divergência de interpretação, foi uma tentativa de impor silêncio onde havia maioria. E isso bate de frente com o princípio mais básico da vida pública — a transparência. Cortar microfone pode até calar o áudio, mas amplifica o ruído político.

O artigo do regimento que garante a sessão extraordinária não desapareceu com o desligar dos equipamentos. Ele continuou lá, ignorado. E é justamente essa escolha que deve puxar as consequências agora. Fala-se em abuso de prerrogativa, quebra de decoro e até medidas judiciais. Não por acaso.

O episódio deixa uma lição incômoda para Arcoverde: quando o poder tenta operar no “mute”, quem paga o preço é a credibilidade. Porque, no fim das contas, política não é sobre quem controla o microfone — é sobre quem aceita ouvir quando perde no voto.

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