quinta-feira, 16 de abril de 2026

COLUNA POLÍTICA | A TRAGÉDIA QUE VIROU TEATRO E ARMADILHA POLÍTICA| NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

NA LUPA: QUANDO A PROPAGANDA ILUDE, A POLÍTICA BRIGA E A VERDADE SOME

TRAGÉDIA DE CRIANÇA VIRA PALANQUE, EXPÕE FALHAS NO HOSPITAL E TERMINA EM BARRACO NA CÂMARA DO RECIFE

A política pernambucana conseguiu, mais uma vez, descer alguns degraus. E não foi pouco.

A morte de um menino de 8 anos — que deveria gerar respeito, silêncio e apuração — virou combustível para disputa, palco de vaidade e, no fim, um espetáculo constrangedor dentro da Câmara do Recife.

No meio disso tudo, a verdade segue em segundo plano. Como quase sempre.

HOSPITAL BONITO NA FOTO, CONFUSO NA VIDA REAL

Vamos direto ao ponto: o Hospital da Criança foi vendido como símbolo de avanço. Mas, na prática, não funciona como o povo entende — e aí mora o problema.

Não é porta aberta. Não é emergência livre. É regulação.

Só que isso não chegou com a mesma clareza na ponta. O que chegou foi a propaganda.

E propaganda cria expectativa.

Pais desesperados não pensam em protocolo, pensam em salvar um filho. Quando chegam e não encontram o atendimento imediato que imaginavam, o choque é inevitável.

Erro de comunicação? Sem dúvida. E erro grave.

Porque saúde não pode ser vendida como vitrine. Tem que funcionar como solução.

A DOR VIROU ARGUMENTO — E ISSO É INDECENTE

Antes mesmo de laudo fechado, antes de conclusão técnica, já tinha político apontando culpado.

Cada lado puxando a narrativa para onde convém.

É o tipo de comportamento que não esclarece nada — só inflama.

Uma família tentando entender o que aconteceu… e a política usando isso como munição.

Não é debate. É exploração.

CADA UM DEFENDE O SEU E NINGUÉM RESPONDE O ESSENCIAL

De um lado, ataque à gestão municipal e ao hospital recém-inaugurado. Do outro, críticas ao atendimento estadual.

No fim?

Um grande empurra-empurra.

E a pergunta principal segue sem resposta clara: houve falha? Onde? Quem errou?

A população não quer briga de versão. Quer explicação.

DO DISCURSO AO DEDO NA CARA: O RETRATO DO DESCONTROLE

O clima azedou de vez quando saiu da internet e foi parar no plenário.

O vereador Eduardo Moura, dentro do seu espaço de atuação, e o deputado Romero Albuquerque protagonizaram uma cena que beira o inacreditável: gritaria, troca de ofensas, dedo em riste e ameaça de agressão.

Tudo transmitido ao vivo.

Não foi debate. Foi barraco institucional.

E daqueles difíceis de justificar.

ESTAR NO HABITAT NÃO DÁ LICENÇA PARA EXTRAPOLAR

Sim, o vereador estava na Câmara — seu ambiente legítimo de atuação. Isso pesa.

Mas não resolve tudo.

Porque o que se espera ali não é só presença, é postura.

E o mesmo vale para quem invade o debate em tom de confronto: política não é ringue.

Quando o nível cai, ninguém sai maior. Só o desgaste cresce.

O QUE FICA: DESINFORMAÇÃO, DESGASTE E DESCONFIANÇA

No final dessa história, o saldo é pesado:

  • Um hospital que precisa explicar melhor como funciona

  • Um sistema de saúde sob suspeita e investigação

  • Uma tragédia ainda sem პასუხas definitivas

  • E dois representantes públicos que preferiram o confronto à responsabilidade

A política, quando perde o limite, deixa de representar e passa a envergonhar.

E quando isso acontece em cima da dor de uma família, o problema não é só político.

É moral.


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