sábado, 4 de abril de 2026

CORRIDA ELEITORAL PROVOCA REFORMA NO GOVERNO RAQUEL LYRA E REDESENHA O TABULEIRO POLÍTICO EM PERNAMBUCO

À medida que o calendário eleitoral avança e impõe prazos rígidos, o governo de Raquel Lyra promoveu uma ampla reconfiguração em sua equipe, oficializando a saída de nomes estratégicos do primeiro escalão para a disputa das eleições de outubro. As exonerações, publicadas em edição extra do Diário Oficial na quinta-feira, cumprem o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral, que se encerra neste sábado (4), e revelam muito mais do que simples substituições administrativas: escancaram movimentos calculados dentro de um xadrez político que já se projeta para o futuro.

Entre os que deixam o governo, destacam-se figuras com forte densidade eleitoral e presença consolidada em suas bases. Kaio Maniçoba, que estava à frente da Secretaria de Turismo, retorna à Assembleia Legislativa com o objetivo de buscar a reeleição, reforçando sua atuação parlamentar após passagem pelo Executivo. Já Daniel Coelho, até então responsável pela pasta de Meio Ambiente, e André Teixeira, que comandava Infraestrutura e Mobilidade, surgem como nomes competitivos na corrida por vagas na Câmara dos Deputados, sinalizando a estratégia do grupo governista de ampliar sua representação em Brasília.

No mesmo movimento, Emmanuel Fernandes, que ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Profissional, também deixa o cargo com planos de disputar uma vaga como deputado federal, consolidando um bloco de ex-secretários com ambições nacionais. No plano estadual, o PSD aposta em Carlos Braga, que deixa a Assistência Social para tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa, enquanto Juliana Gouveia, ex-secretária da Mulher, também entra na disputa, ampliando a presença feminina no pleito proporcional.

As mudanças, no entanto, não se limitaram ao primeiro escalão. A reestruturação atingiu também áreas estratégicas da gestão. As secretárias executivas Fernanda Rafaela, da área de Direitos Humanos, e Camila Freitas, da Justiça e Direitos Humanos, foram exoneradas, indicando que o movimento de desincompatibilização alcança diferentes níveis da máquina pública.

Fora do núcleo direto do secretariado, outras peças importantes também deixam suas funções para entrar no jogo eleitoral. Miguel Duque deixou a presidência do IPA com foco na disputa por uma vaga na Câmara Federal, enquanto Michelle Collins se afastou do comando da Arena de Pernambuco com o mesmo objetivo, reforçando a tendência de migração de gestores para o campo eleitoral.

Na Secretaria da Casa Civil, a movimentação foi igualmente significativa. Ex-prefeitos com trajetória consolidada como Raimundo Pimentel, Célia Sales e Judite Botafogo deixaram seus cargos de assessoria, assim como o vereador Ronaldo Lopes, evidenciando que a estratégia eleitoral do grupo governista não se restringe aos nomes mais visíveis, mas envolve uma rede mais ampla de lideranças com capilaridade política.

O movimento liderado por Raquel Lyra revela uma engrenagem bem ajustada entre governo e projeto eleitoral. Ao mesmo tempo em que atende às exigências legais, a governadora reorganiza sua equipe e libera nomes competitivos para fortalecer palanques em diversas regiões do estado. A dança das cadeiras no Executivo, portanto, vai além da burocracia: representa o início oficial de uma disputa que promete ser intensa, marcada pela tentativa de consolidação de novas lideranças e pela manutenção de espaços de poder já conquistados.

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