domingo, 19 de abril de 2026

CRISE NOS BASTIDORES: NOMEAÇÃO DE MINISTRO VIRA “LAMBAÇA” NO PSB E PODE TERMINAR EM SUBSTITUIÇÃO

A recente nomeação do pernambucano Tadeu Alencar para o comando do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), oficializada no último dia 3 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriu uma crise inesperada dentro do próprio PSB e expôs falhas de articulação política nos bastidores de Brasília.

Segundo revelou o jornalista Ricardo Noblat, o partido ao qual Tadeu é filiado teria solicitado ao Palácio do Planalto a substituição do recém-nomeado ministro. A articulação partiria do presidente nacional da legenda, João Campos, que defende a indicação do paulista Paulo Henrique Pereira, professor de Direito e ex-secretário executivo do Conselho de Desenvolvimento Social Sustentável, além de aliado próximo da deputada Tabata Amaral.

O episódio, classificado por Noblat como uma “lambança do PSB”, revela um cenário de desencontro interno. A nomeação de Tadeu teria seguido um critério estabelecido por Lula, que vinha substituindo ministros que deixaram seus cargos por seus respectivos secretários-executivos — posição que o pernambucano ocupava antes de ser alçado ao posto principal da pasta.

No entanto, por trás da decisão, havia uma disputa silenciosa. De um lado, João Campos articulava a chegada de Paulo Henrique Pereira. De outro, o então ministro Márcio França defendia o nome de Maurício Juvenal, ex-secretário nacional de Ambiente de Negócios. Em meio a esse embate, Tadeu Alencar acabou se tornando peça central de um jogo político que não foi plenamente alinhado entre as lideranças do partido e o governo federal.

De acordo com os relatos, antes mesmo da nomeação oficial, João Campos teria procurado Tadeu para sondar a possibilidade de ele permanecer como secretário-executivo, abrindo caminho para a indicação de Paulo Pereira como ministro. A situação, no entanto, tomou outro rumo quando o Diário Oficial da União trouxe o nome de Tadeu como titular da pasta.

Surpreso, o novo ministro teria ligado para João Campos para agradecer pela indicação, mas recebeu uma resposta inesperada: “Espere aí, deve ter sido um engano”. A declaração evidenciou o descompasso entre o que havia sido previamente articulado e o que, de fato, foi executado pelo governo.

A falha de comunicação dentro do PSB e entre o partido e o Planalto teria sido determinante para o impasse. O acordo político não teria sido devidamente repassado aos responsáveis pela formalização da nomeação, levando Lula a oficializar Tadeu no cargo.

Agora, o cenário segue indefinido. Nos bastidores, já se cogita a possibilidade de uma “desnomeação” — movimento raro e politicamente delicado — para acomodar o nome defendido por João Campos. Ao mesmo tempo, há quem avalie que, diante da confusão, Márcio França possa retomar força na disputa e recolocar Maurício Juvenal como alternativa viável.

Procurado, Tadeu Alencar ainda não se manifestou publicamente sobre o episódio até o momento. Enquanto isso, o caso expõe não apenas uma crise pontual, mas também as dificuldades de coordenação política dentro da base governista, em um momento em que o Executivo busca estabilidade e alinhamento em sua equipe ministerial.

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