Em contato direto com o Blog Cenário, Rodolfo foi enfático ao negar que tenha autorizado a formalização do vínculo partidário. Segundo ele, a assinatura da ficha ocorreu ainda em um momento anterior, quando havia intenção concreta de migração para o PP, mas o cenário político mudou de forma significativa desde então.
O parlamentar detalhou que o acordo inicial previa que a oficialização da filiação só aconteceria após um aval final de sua parte — o que, segundo ele, não ocorreu. “Eu assinei a ficha em um contexto totalmente diferente do atual, quando havia uma sinalização clara de permanência naquele projeto político. No entanto, houve mudanças que impactaram diretamente minha decisão”, afirmou.
Entre os fatores que motivaram a reavaliação estão as indefinições internas no Progressistas, especialmente relacionadas ao posicionamento da sigla no cenário estadual e à possível candidatura ao Senado do deputado Eduardo da Fonte. De acordo com Rodolfo, a eventual permanência de Da Fonte na Câmara Federal alteraria a composição da chapa proporcional, reduzindo suas chances de reeleição.
Além disso, o vai e vem nas alianças do partido — com aproximações e recuos em relação ao PSB — contribuiu para aumentar a insegurança política do deputado, que decidiu, então, permanecer no PRD.
Mesmo com a mudança de rumo já comunicada, Rodolfo afirma que sua ficha de filiação ao PP foi protocolada sem autorização. “Houve um descompasso. Informei que não daria continuidade, mas, ainda assim, o partido levou adiante o registro. Isso foi feito sem o meu consentimento”, declarou.
O deputado garantiu que sua situação já está regularizada internamente junto ao PRD, restando apenas a atualização do sistema da Justiça Eleitoral para refletir oficialmente sua permanência na legenda. Ele também minimizou o episódio, classificando-o como um equívoco administrativo que deve ser resolvido sem maiores complicações.
O caso expõe não apenas as tensões típicas do período pré-eleitoral, mas também a complexidade das articulações partidárias em Pernambuco, onde alianças são constantemente redesenhadas conforme interesses estratégicos e projeções eleitorais. Em um cenário ainda indefinido, episódios como esse evidenciam o grau de instabilidade e as disputas silenciosas que moldam os caminhos rumo às urnas em 2026.
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