A articulação ganhou força após uma declaração pública do prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, que afirmou nas redes sociais que Tadeu “se prepara para retornar à Câmara Federal nos próximos dias”. A fala acendeu o alerta nos meios políticos e levantou questionamentos sobre como se daria, na prática, esse retorno.
Nos corredores da capital federal, a informação que circula é de que Felipe Carreras poderia se licenciar do mandato para assumir um papel estratégico na coordenação da campanha de João Campos ao Governo de Pernambuco em 2026. Já o eventual afastamento de Pedro Campos é interpretado como um gesto político delicado, que demonstraria disposição do grupo em “dividir o custo” do episódio envolvendo Tadeu Alencar — uma forma de sinalizar unidade interna após o desgaste recente.
O pano de fundo dessa movimentação remonta ao imbróglio envolvendo a breve passagem de Tadeu pelo primeiro escalão do governo federal. Ele havia sido alçado ao cargo de ministro do Empreendedorismo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de abril, após a saída de Márcio França, que deixou a função para disputar o Senado. No entanto, a nomeação de Tadeu ocorreu sem o aval pleno da direção nacional do PSB, o que gerou desconforto interno.
A crise se intensificou nos dias seguintes, culminando com a saída de Tadeu do ministério. Em seu lugar, assumiu Paulo Pereira, nome respaldado por João Campos, numa tentativa de reorganizar o espaço político do partido dentro do governo.
Após deixar o cargo, Tadeu Alencar chegou a receber convites para permanecer na estrutura federal, seja como secretário-executivo da pasta ou como assessor do vice-presidente Geraldo Alckmin, também filiado ao PSB. Ele, no entanto, recusou ambas as propostas, reforçando a intenção de retomar seu mandato parlamentar.
É nesse contexto que a possível engenharia política envolvendo licenças ganha relevância. Caso se confirme, além de garantir o retorno de Tadeu à Câmara, a manobra também beneficiaria Gonzaga Patriota, que, como primeiro suplente, herdaria uma das vagas abertas.
Patriota, veterano da política pernambucana com dez mandatos na Câmara, confirmou que tomou conhecimento das movimentações, mas afirmou não ter sido oficialmente comunicado sobre qualquer decisão. Em declaração, destacou sua posição na fila de suplência e relembrou sua expressiva votação na última eleição, quando obteve 69 mil votos. Também ressaltou que, nos últimos três anos, não foi contemplado com cargos no governo.
A possível rearrumação evidencia não apenas a complexidade das articulações internas do PSB, mas também o esforço da legenda em equilibrar interesses, reparar desgastes recentes e preparar o terreno para as disputas eleitorais que se aproximam. Nos bastidores, o cenário segue em aberto, mas com sinais claros de que decisões estratégicas estão sendo costuradas para manter a coesão do grupo político.
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