A passagem de Miguel Duque pelo IPA foi marcada por uma agenda intensa voltada ao fortalecimento da agricultura familiar, especialmente em regiões historicamente afetadas pela estiagem. Em um estado onde o campo ainda enfrenta desafios estruturais, a gestão buscou acelerar entregas e dar respostas práticas a demandas antigas dos produtores rurais.
Um dos pilares dessa atuação foi a ampliação da mecanização agrícola. Ao longo de sua gestão, foram distribuídos centenas de equipamentos, incluindo 210 tratores e 246 grades aradoras, além de mais de 600 roçadeiras e outros implementos. A iniciativa teve como foco não apenas modernizar a produção, mas também reduzir custos e aumentar a eficiência do pequeno agricultor, que muitas vezes depende de condições adversas para garantir sua subsistência.
No campo da infraestrutura, os números também chamam atenção. Mais de 1.750 quilômetros de estradas vicinais foram recuperados, facilitando o acesso às comunidades rurais e garantindo melhores condições para o escoamento da produção agrícola. A ação teve impacto direto na economia local, ao encurtar distâncias e reduzir perdas logísticas.
A convivência com o semiárido, pauta central para o desenvolvimento sustentável do interior pernambucano, também recebeu atenção estratégica. A gestão promoveu a limpeza de 304 barragens e barreiros, além da perfuração de 90 poços artesianos. As medidas ampliaram o acesso à água e ofereceram maior segurança hídrica para famílias do campo, especialmente em períodos de estiagem mais severa.
Outro avanço significativo ocorreu na política de distribuição de sementes. Em um movimento considerado decisivo por técnicos e agricultores, o IPA passou a garantir a entrega dentro do calendário ideal de plantio, antes do início das chuvas. Ao todo, foram distribuídas 1.900 toneladas de sementes, o que contribuiu para melhores resultados nas lavouras e maior previsibilidade para os produtores.
Internamente, Miguel Duque conduziu um processo de reorganização administrativa que incluiu a repactuação de contratos terceirizados, renovação da frota de veículos e requalificação de escritórios regionais. A intenção foi dar mais eficiência à máquina pública e ampliar a capacidade de atendimento do instituto em todas as regiões do estado.
No campo institucional, a gestão também buscou inovar. A inserção da Feira Nacional da Agricultura Familiar (FENEAF) no calendário oficial de Pernambuco fortaleceu o setor e abriu novas oportunidades de visibilidade e comercialização para produtores locais. Além disso, o IPA aderiu ao programa Banco Vermelho, ampliando sua atuação para além da agricultura, ao contribuir com políticas de enfrentamento à violência contra a mulher.
Ao anunciar sua saída, Miguel Duque fez questão de destacar o apoio recebido da governadora Raquel Lyra, a quem atribuiu papel fundamental na viabilização das ações implementadas. Segundo ele, a missão à frente do IPA foi guiada pelo objetivo de aproximar o órgão da população e fortalecer sua presença no interior.
Agora, fora da gestão, ele projeta um novo desafio: representar Pernambuco na Câmara dos Deputados. Com discurso voltado ao desenvolvimento regional, Duque afirma que pretende levar para Brasília a experiência acumulada na gestão pública, com foco especial no Sertão e nas políticas voltadas ao homem e à mulher do campo.
A movimentação reforça o cenário de aquecimento político no estado, onde nomes com passagem pelo Executivo começam a se posicionar para a disputa eleitoral, levando na bagagem entregas, articulações e a expectativa de transformar resultados administrativos em votos nas urnas.
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