O anúncio foi realizado durante a abertura do Congresso Pernambucano dos Municípios, no Recife, evento que reúne prefeitos, gestores e lideranças políticas de todas as regiões do estado. No contexto do encontro, a iniciativa foi apresentada como uma resposta direta às demandas por melhoria da mobilidade no interior, com impacto esperado tanto na redução do tempo de deslocamento quanto no fortalecimento das atividades econômicas, especialmente no Agreste, região marcada por forte dinamismo nos setores têxtil, comercial e agrícola.
Paralelamente à assinatura do edital, a governadora protagonizou outro gesto de alcance político e administrativo ao realizar a entrega simbólica de cheques a representantes de 150 municípios pernambucanos. Os valores correspondem à primeira parcela dos recursos provenientes da concessão dos serviços da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) à iniciativa privada, somando mais de R$ 1,3 milhão distribuídos nesta etapa inicial.
A concessão, que tem como meta universalizar o acesso ao saneamento básico em Pernambuco, foi estruturada com a participação de duas empresas responsáveis por investimentos estimados em R$ 19,5 bilhões até o ano de 2035. Segundo o Governo do Estado, a medida foi adotada diante da limitação da capacidade financeira da gestão pública para cumprir, dentro dos prazos do marco regulatório do setor, as metas de ampliação da cobertura de água e esgoto.
Durante o discurso dirigido aos prefeitos, Raquel Lyra adotou um tom enfático ao destacar que sua gestão está centrada em resultados concretos, reforçando a importância de ações administrativas em detrimento de articulações políticas tradicionais. Ao afirmar que não assumiu o governo para “fazer mais do mesmo”, a governadora associou a possibilidade de reeleição ao desempenho da gestão, sinalizando que o foco está na entrega de obras e serviços à população.
A fala também trouxe um chamado à intensificação do ritmo de trabalho dentro da administração estadual, com a defesa de uma postura mais ativa diante das demandas sociais. Ao enfatizar que o momento exige “falar menos de voto” e “entregar mais”, a governadora procurou alinhar seu discurso à expectativa de eficiência administrativa, em um cenário de cobrança crescente por resultados.
Mesmo diante de um ambiente de maior diálogo recente entre o Executivo e o Legislativo, Raquel Lyra voltou a mencionar dificuldades enfrentadas na tramitação da Lei Orçamentária Anual na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Sem direcionar críticas nominalmente, destacou que a gestão encontrou obstáculos considerados atípicos, associando as resistências a fatores políticos e também a questões relacionadas ao perfil de liderança que representa, ao mencionar sua origem no interior e trajetória como ex-prefeita.
Ao inserir a pauta da infraestrutura e da distribuição de recursos em um mesmo momento político, o governo estadual buscou consolidar uma narrativa de ação simultânea em diferentes frentes, combinando investimentos estruturantes com repasses diretos aos municípios, em um esforço de fortalecer a relação institucional com as prefeituras e ampliar a presença do Estado nas diversas regiões pernambucanas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário