terça-feira, 21 de abril de 2026

RUBER NETO MUDA DE RUMO MAIS UMA VEZ E ENSAIA NOVA DISPUTA NA ESTEIRA DE ARRANJOS POLÍTICOS EM GARANHUNS

O tabuleiro político de Garanhuns volta a girar em torno de um personagem que já se acostumou a mudar de posição conforme o vento sopra. O vereador Ruber Neto (PSD) reaparece no radar eleitoral como possível candidato a deputado estadual nas eleições deste ano, numa movimentação que, longe de surpreender, reforça um histórico recente marcado por idas, vindas e alianças que se reconfiguram com frequência.

A eventual candidatura nasce ancorada no aval do deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), com quem Ruber já teve momentos de proximidade política. A ideia, nos bastidores, é ocupar o espaço que será deixado pelo deputado estadual Izaías Régis (PSD), que decidiu não disputar a reeleição e deve mirar uma vaga na Câmara Federal. A movimentação, no entanto, está longe de ser apenas estratégica — ela escancara uma trajetória política que mais parece um roteiro em constante reescrita.

Ruber Neto já transitou por diferentes grupos com desenvoltura. Em um passado não tão distante, esteve alinhado a Izaías Régis, num período em que o grupo político ainda demonstrava coesão local. Depois, aproximou-se do chamado grupo Chaparral, onde não faltaram declarações públicas de fidelidade e alinhamento político — o tipo de compromisso que, em Garanhuns, costuma ter prazo de validade curto. Na sequência, mudou novamente de rota e passou a orbitar o grupo dos Martins, chegando a declarar apoio à reeleição do deputado estadual Claudiano Martins (PP) em 2025, sob o discurso de renovação política e maior sintonia com as demandas populares.

O movimento, à época, foi visto como mais uma guinada dentro de uma trajetória já marcada por reposicionamentos. Não demorou, porém, para que o eixo voltasse a se deslocar. Ruber reaproximou-se de Túlio Gadêlha, retomando um vínculo político que havia esfriado, numa espécie de retorno ao ponto de partida — ou pelo menos a um dos vários pontos já ocupados por ele.

Agora, o vereador ensaia mais uma composição, desta vez mirando uma dobradinha com o deputado federal Fernando Monteiro (PSD). A possível aliança amplia ainda mais o leque de articulações e reforça a impressão de que, no caso de Ruber, o projeto político parece menos ideológico e mais circunstancial, moldado de acordo com as oportunidades que surgem no cenário eleitoral.

Nos bastidores, a leitura é de que o vereador tenta se viabilizar ocupando um vácuo eleitoral evidente com a saída de Izaías Régis da disputa estadual. Resta saber, no entanto, até quando essa nova ideia irá durar na cabeça do parlamentar, que atualmente se auto declara isolado na Câmara de Garanhuns — nem oposição, nem governo, independente apenas de si mesmo. O discurso de independência, nesse contexto, soa mais como reflexo de um isolamento político do que propriamente uma estratégia consolidada.

O momento também é atravessado por um silêncio que chama atenção. Desde que seu mandato foi colocado à mesa em um pedido de cassação por quebra de decoro, após um episódio de agressão a um cidadão em via pública, Ruber Neto tem adotado uma postura discreta, quase ausente do debate público, contrastando com o histórico de movimentações intensas nos bastidores.

Em Garanhuns, onde a memória política pode até falhar, mas não desaparece, o vereador volta a apostar na capacidade de se reinventar. Resta saber se o eleitor acompanhará mais essa mudança de rota ou se, desta vez, a conta das idas e vindas começará a pesar.

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