Durante agenda pública, Raquel Lyra adotou um tom firme ao comentar críticas direcionadas à sua gestão. Sem citar nomes diretamente, a governadora ressaltou que cobranças são naturais no ambiente democrático, mas fez questão de pontuar o que considera incoerência nas críticas recebidas. “Quando vêm com críticas, é natural da democracia, mas não me cobrem em três anos o que tiveram a oportunidade de fazer e não fizeram”, afirmou, em uma declaração interpretada como resposta direta ao grupo político adversário.
A fala ocorre após João Campos intensificar críticas à malha rodoviária pernambucana, destacando, sobretudo, a diferença estrutural entre rodovias estaduais na divisa com o Ceará. Segundo ele, ao comparar a CE-494 com a PE-585, o contraste seria evidente: enquanto a estrada cearense apresenta boas condições, a via pernambucana enfrenta problemas como buracos e falta de manutenção, o que, de acordo com o socialista, compromete a segurança e a mobilidade de quem trafega pela região.
Ao levantar o tema, João Campos afirmou que a situação representa um “retrato do que está sendo feito errado” e defendeu que Pernambuco pode avançar mais na área de infraestrutura. A crítica, no entanto, abriu espaço para questionamentos dentro do próprio debate político, especialmente pelo histórico administrativo do grupo ao qual o pré-candidato pertence.
Isso porque o Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda de João Campos, governou Pernambuco por 16 anos consecutivos. Nesse período, o estado esteve sob a liderança de figuras como Eduardo Campos e Paulo Câmara, ambos aliados diretos do atual pré-candidato. Durante essas gestões, diversas rodovias estaduais enfrentaram problemas recorrentes, incluindo trechos hoje novamente citados no debate público.
Entre os exemplos mencionados por críticos está a própria PE-585, além de outras importantes vias do interior, como a PE-320, que corta municípios estratégicos do Sertão, incluindo Serra Talhada, São José do Egito, Afogados da Ingazeira e Tabira. Ao longo dos anos, essas estradas foram alvo de reclamações frequentes da população, principalmente por conta da deterioração estrutural e da falta de intervenções contínuas.
Outro ponto que reforça o embate político é o histórico de atuação de João Campos dentro da administração estadual. Antes de assumir a Prefeitura do Recife, ele ocupou o cargo de chefe de gabinete durante o governo de Paulo Câmara, período que também é citado por adversários como crítico para a infraestrutura rodoviária do estado.
Nesse contexto, a troca de declarações vai além de críticas pontuais e revela uma disputa mais ampla sobre responsabilidade administrativa e continuidade de políticas públicas. De um lado, a atual gestão busca destacar ações recentes e relativizar cobranças com base no tempo de governo. Do outro, a oposição tenta evidenciar problemas atuais como reflexo de falhas na condução estadual.
O embate também reforça o tom que deve marcar o debate eleitoral em Pernambuco nos próximos meses, com foco não apenas em propostas futuras, mas principalmente na avaliação de gestões passadas e na tentativa de atribuir responsabilidades pelos desafios estruturais que ainda persistem no estado.
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