Existe uma coisa que o tempo ensina e que nenhuma pesquisa consegue medir: vivência. Vivência não se compra, não se herda e não se fabrica em gabinete climatizado. Vivência é construída nas vitórias, nas derrotas, nos acertos, nos erros e, principalmente, na capacidade de aprender quando o cenário parece contrário.
A maturidade política nasce exatamente daí. De entender que nenhum projeto cresce ouvindo apenas aplausos. Nenhuma liderança se fortalece cercada apenas por quem concorda com tudo. Política exige escuta, humildade, construção e inteligência coletiva.
Vi isso de perto quando muitos ainda não enxergavam. Quando Eduardo Campos não tinha sequer dois dígitos nas pesquisas, decidi caminhar ao seu lado. Fui chamado de louco, de dissidente (PTB), de homem sem rumo. Mas existia ali algo que muitos não conseguiam perceber: a capacidade de ouvir, de somar, de construir pontes e de compreender que política não se faz com arrogância.
Eduardo cresceu porque entendia o valor do coletivo. Sabia que ninguém governa sozinho e que decisões estratégicas não podem ficar restritas a duas ou três cabeças fechadas dentro de uma bolha. Pernambuco avançou porque existia diálogo, conselho político, debate e visão de futuro.
O problema de muitos projetos atuais é acreditar que força eleitoral substitui inteligência política. Não substitui. Pesquisa não ganha eleição sozinha. Marketing não sustenta projeto sem base. Vaidade não constrói unidade. E soberba sempre cobra um preço alto na política.
O momento que Pernambuco vive exige reflexão profunda. Exige maturidade. Exige ouvir quem conhece o interior, quem entende o sentimento das ruas, quem sabe interpretar o silêncio das bases e o desgaste que muitas vezes os palácios insistem em ignorar.
Não existe construção sólida quando tudo se concentra apenas numa visão metropolitana, fechada e distante da realidade do povo. Pernambuco é muito maior do que uma bolha política cercada de bajuladores. O Estado é plural, diverso e precisa ser pensado de forma ampla.
Quando o debate deixa de ser coletivo, o erro deixa de ser percebido a tempo. E quando ninguém mais pode contrariar o comando, o projeto começa lentamente a perder conexão com a realidade.
A história já ensinou isso várias vezes.
E continuará ensinando para quem insistir em não aprender.
Eudson Catão
Ex-prefeito de Palmeirina e ex-presidente da CODEAM
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