Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos possíveis candidatos são apresentados aos entrevistados, Raquel Lyra surge com 46,5% das intenções de voto, abrindo uma vantagem de mais de nove pontos percentuais sobre João Campos, que registra 37,3%. O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira aparece em terceiro lugar, com 5,3%. Outros candidatos somam 4,6%, enquanto brancos, nulos e indecisos representam 6,3%.
O dado ganha ainda mais peso quando analisado pelo critério dos votos válidos — metodologia utilizada pela Justiça Eleitoral para definir o resultado oficial das eleições. Nesse cenário, Raquel Lyra alcança 49,6%, ficando muito próxima de uma vitória em primeiro turno, enquanto João Campos aparece com 39,8%. Anderson Ferreira registra 5,7%.A pesquisa também trouxe números considerados estratégicos para avaliar o grau de consolidação das candidaturas. Na intenção espontânea de voto, quando os entrevistados não recebem uma lista prévia de nomes, Raquel Lyra também lidera com folga, alcançando 29,8%. João Campos aparece com 16,2%, enquanto Anderson Ferreira soma apenas 0,3%. O percentual de indecisos, brancos e nulos chega a 53%, indicando que ainda existe um eleitorado expressivo em aberto, embora a governadora demonstre maior capacidade de lembrança espontânea junto ao eleitorado pernambucano.
Outro dado que chamou atenção foi o índice de rejeição. João Campos lidera nesse quesito com 37,9%, tornando-se o nome mais rejeitado entre os apresentados na pesquisa. Anderson Ferreira aparece com 25% de rejeição. Já o vereador Eduardo Moura registra 9,1%.Nos bastidores políticos, os números foram interpretados como um indicativo de mudança de humor do eleitorado pernambucano. Integrantes do governo estadual avaliam que a sequência de entregas administrativas, investimentos em infraestrutura, segurança hídrica, recuperação de estradas e articulações políticas no interior começaram a produzir reflexos eleitorais mais visíveis. A leitura entre aliados de Raquel Lyra é de que a governadora conseguiu sair de um momento de desgaste inicial para ocupar um espaço mais competitivo e consistente no debate estadual.
Do outro lado, o levantamento aumenta a pressão sobre o grupo político liderado por João Campos, que vinha sendo tratado por setores da oposição como favorito natural para a disputa estadual. A elevação do índice de rejeição e a perda da liderança em relação à pesquisa anterior acendem um sinal de alerta dentro do PSB, principalmente diante da necessidade de ampliar a presença política do prefeito do Recife no interior do Estado, região onde Raquel Lyra tem intensificado agendas administrativas e articulações com prefeitos.
O novo cenário também impacta diretamente o xadrez das alianças partidárias. Prefeitos, deputados e lideranças regionais acompanham atentamente os movimentos das pesquisas para definir posicionamentos políticos visando 2026. Em Pernambuco, tradicionalmente, a força de uma candidatura majoritária costuma influenciar fortemente a formação das chapas proporcionais e o alinhamento de grupos municipais.
O levantamento do Instituto Veritá foi realizado entre os dias 26 e 30 de abril, ouvindo 2.010 entrevistados. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O dado mais simbólico do estudo está justamente na comparação com a pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada em 6 de abril. Naquele levantamento, Raquel Lyra e João Campos apareciam tecnicamente empatados, ambos com 35,4% das intenções de voto. A evolução da governadora e a abertura da vantagem em pouco mais de três semanas passaram a ser interpretadas por aliados como um indicativo de crescimento político em curso.
A pesquisa anterior acabou suspensa por decisão judicial após questionamentos apresentados pelo MDB, partido que integra a base de apoio de João Campos em Pernambuco. Agora, com a divulgação do novo levantamento, o debate eleitoral volta ao centro das discussões políticas do Estado e promete intensificar ainda mais a movimentação nos bastidores da sucessão estadual.
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