quinta-feira, 28 de maio de 2026

PERNAMBUCO REAGE AO ATLAS DA VIOLÊNCIA E GOVERNO DESTACA QUEDA NOS HOMICÍDIOS APÓS ANOS DE PRESSÃO NA SEGURANÇA

A divulgação do Atlas da Violência 2026 reacendeu o debate sobre a segurança pública em Pernambuco e colocou novamente o estado entre os mais violentos do país. O levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que Pernambuco registrou 3.534 homicídios em 2024, alcançando uma taxa de 37,3 mortes por 100 mil habitantes — a terceira maior do Brasil, atrás apenas do Amapá e da Bahia.

Os números chamaram atenção nacionalmente e reforçaram a preocupação em torno da criminalidade no estado. Apesar disso, o Governo de Pernambuco reagiu rapidamente ao relatório e afirmou que os dados mais recentes mostram uma trajetória de redução da violência letal, resultado das ações implementadas pela atual política de segurança pública.

Em nota oficial, a Secretaria de Defesa Social (SDS) argumentou que os indicadores do Atlas precisam ser analisados com cautela, sobretudo por conta das diferenças metodológicas entre os dados utilizados pelo estudo e os registros oficiais do estado. Segundo a pasta, o levantamento utiliza informações do DATASUS, enquanto Pernambuco contabiliza os casos por meio dos registros operacionais das forças de segurança.

De acordo com a SDS, o número oficial de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) em 2024 foi de 3.464 casos, o equivalente a uma taxa de 36,3 mortes por 100 mil habitantes — índice ainda elevado, mas inferior ao apresentado pelo Atlas da Violência.

O governo estadual também ressaltou que os resultados de 2025 apontam para uma redução mais consistente da criminalidade. Conforme os dados divulgados pela própria secretaria, Pernambuco encerrou o ano passado com queda de 9,3% na taxa de MVIs, reduzindo o índice de 36,3 para 32,9 mortes por 100 mil habitantes.

Outro dado utilizado pela gestão para defender avanços na segurança pública envolve os números mais recentes do programa Juntos pela Segurança. Entre janeiro e abril de 2026, Pernambuco contabilizou 947 mortes violentas intencionais, contra 1.116 ocorrências registradas no mesmo período de 2025. A redução anunciada pelo Estado foi de 15,1%.

Quando a comparação é feita com os primeiros quatro meses de 2022, a diminuição chega a 26,1%, segundo os dados oficiais. Para o governo, os resultados refletem o fortalecimento das operações policiais, investimentos em inteligência, ampliação do efetivo, aquisição de equipamentos e reforço das ações preventivas.

Nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas, a avaliação é de que os números recentes demonstram uma mudança gradual no cenário da segurança pública, embora o estado ainda enfrente desafios históricos ligados ao crime organizado, tráfico de drogas e violência urbana.

Mesmo diante da defesa apresentada pela gestão estadual, o Atlas da Violência evidencia que Pernambuco continua convivendo com índices alarmantes. O relatório aponta ainda que duas cidades pernambucanas aparecem entre os 20 municípios mais violentos do Brasil com mais de 100 mil habitantes: Cabo de Santo Agostinho, ocupando a 14ª posição, e São Lourenço da Mata, na 16ª colocação.

Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores foi o avanço dos chamados “homicídios ocultos” — mortes violentas inicialmente registradas sem definição clara da causa e posteriormente estimadas como homicídios. Considerando essa metodologia, Pernambuco teria alcançado 3.658 homicídios estimados em 2024, elevando a taxa para 38,6 mortes por 100 mil habitantes.

O tema amplia o debate sobre subnotificação e dificuldades estruturais na identificação precisa de mortes violentas em diversas regiões do país. Especialistas defendem melhorias na investigação criminal, integração entre órgãos de segurança e aperfeiçoamento dos sistemas de informação.

Diante da repercussão nacional do Atlas, o Governo de Pernambuco reafirmou que continuará investindo na modernização da segurança pública. Entre as prioridades citadas pela SDS estão a contratação de novos profissionais, expansão do uso de tecnologia, fortalecimento da inteligência policial, ampliação da infraestrutura das forças operacionais e ações preventivas voltadas à redução da violência.

A gestão estadual sustenta que a reversão dos índices não acontece de forma imediata e que os resultados positivos dependem de continuidade administrativa, integração entre instituições e presença mais efetiva do Estado nas áreas mais vulneráveis.

Enquanto isso, o Atlas da Violência volta a colocar Pernambuco no centro das discussões nacionais sobre segurança pública, cobrando respostas rápidas, investimentos permanentes e estratégias capazes de transformar os números de queda em uma redução duradoura da criminalidade.

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