O caso havia provocado forte repercussão política e social em Pernambuco. Na ocasião, a caminhonete em que a secretária seguia como passageira foi atingida por disparos de arma de fogo, levantando suspeitas de um possível atentado motivado até por violência de gênero, hipótese mencionada logo após o ocorrido. Apesar do susto e da gravidade da denúncia, ninguém ficou ferido.
Entretanto, conforme avançaram as investigações conduzidas pela delegada Myrthor Andrade, começaram a surgir inconsistências consideradas decisivas para mudar completamente o rumo do caso. O principal ponto que chamou a atenção da polícia foi o conteúdo de imagens de câmeras de segurança instaladas ao longo da PE-28. Os registros mostraram que, antes dos disparos, houve uma parada do veículo e um encontro entre os ocupantes da caminhonete e o motociclista apontado como autor dos tiros.
Segundo a polícia, o contato durou cerca de 17 segundos. O detalhe, porém, não havia sido informado inicialmente no boletim de ocorrência apresentado pelas supostas vítimas. A omissão levantou suspeitas imediatas e fez a equipe de investigação aprofundar a análise dos fatos.
O motorista do veículo relatou inicialmente que apenas percebeu uma motocicleta tentando ultrapassar pelo acostamento e que os disparos aconteceram logo depois, sem qualquer interação anterior. Posteriormente, diante das provas reunidas, a própria secretária reconheceu que houve a parada na estrada, embora tenha afirmado não saber exatamente o que teria sido tratado naquele momento.
Outro elemento decisivo para a conclusão da Polícia Civil foi a identificação do motociclista. As investigações apontaram que o homem era o próprio pai do motorista da caminhonete. Em depoimento, ele admitiu o encontro com o filho, alegando que estaria realizando uma entrega de mercadorias na região de Gaibu. No entanto, a versão não resistiu à análise das imagens e dos horários levantados pelos investigadores.
De acordo com a polícia, o intervalo entre o encontro e o retorno do motociclista era incompatível com o percurso informado pelo suspeito. A inconsistência reforçou a tese de que a narrativa apresentada inicialmente havia sido montada para simular um atentado.
As apurações também revelaram que a omissão de informações teria ligação com o receio dos envolvidos de expor uma possível atividade irregular relacionada à comercialização de produtos. A polícia não detalhou oficialmente qual seria essa atividade, mas destacou que o temor em revelar a situação acabou contribuindo para a construção da falsa versão apresentada no início do caso.
Com os elementos reunidos, a corporação descartou oficialmente a hipótese de tentativa de homicídio nos moldes divulgados anteriormente. Agora, o inquérito deverá seguir para os encaminhamentos judiciais e os envolvidos poderão responder por falsa comunicação de crime, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados durante a continuidade das análises do caso.
O episódio provoca forte impacto político no Cabo de Santo Agostinho e levanta questionamentos sobre a repercussão gerada a partir da versão inicial apresentada publicamente. O caso, que chegou a ser tratado como um possível ataque contra uma integrante do primeiro escalão municipal, termina cercado por suspeitas de armação e poderá ter novos desdobramentos nos próximos dias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário