A avaliação de diversos observadores da política pernambucana é que o PSB acaba abrindo mão de um patrimônio eleitoral importante em uma região estratégica para qualquer projeto político estadual. Ex-prefeita de Surubim e detentora de forte influência política em diversos municípios do Agreste, Ana Célia reúne características que poucos nomes possuem atualmente: experiência administrativa, capilaridade regional, capacidade de articulação e um histórico consolidado de relacionamento com lideranças locais.
A saída de cena da ex-prefeita acontece em um momento em que a disputa pelas bases eleitorais está cada vez mais acirrada. Em vez de fortalecer uma candidatura competitiva no interior, o partido optou por deslocar uma de suas principais lideranças para uma função administrativa, deixando um espaço político que dificilmente será ocupado com a mesma força e naturalidade por outro nome da legenda.
Nos bastidores, a movimentação também reacende questionamentos sobre a estratégia eleitoral do grupo liderado pelo prefeito do Recife, João Campos. Não é a primeira vez que decisões internas provocam debates sobre o aproveitamento de quadros políticos com potencial eleitoral. Agora, a retirada de Ana Célia da disputa é vista por muitos como uma escolha que reduz a presença do PSB justamente em uma região onde o partido precisaria ampliar sua musculatura política.
O efeito prático da decisão é imediato. Sem Ana Célia na corrida eleitoral, lideranças de outros grupos passam a encontrar um cenário mais favorável para consolidar suas bases e ampliar espaços. A ausência de uma candidatura com forte inserção regional altera o equilíbrio político do Agreste Setentrional e muda os cálculos de diversas forças partidárias.
Entre os principais beneficiados pelo novo cenário aparece a prefeita de Casinhas, Juliana de Chaparral, que passa a ocupar praticamente sozinha um espaço relevante na região. Com forte atuação política e em constante expansão de sua influência, Juliana ganha mais terreno para ampliar sua presença nos municípios vizinhos sem a concorrência de uma liderança do peso eleitoral de Ana Célia.
Outro nome que tende a ser favorecido é o ex-deputado Ricardo Teobaldo, que mantém bases históricas no Agreste e segue como uma das referências políticas da região. Ambos integram o campo político alinhado à governadora Raquel Lyra, que vê seus aliados encontrarem um ambiente ainda mais aberto para crescer eleitoralmente.
Enquanto o PSB aposta na atuação de Ana Célia nos bastidores e na articulação política do partido no interior, a leitura predominante entre muitos analistas e lideranças regionais é que a legenda retirou de campo uma de suas jogadoras mais experientes justamente quando a disputa exigia nomes com densidade eleitoral comprovada. Em uma eleição marcada pela busca de votos no interior, abrir mão de uma liderança com tamanho alcance regional pode custar caro ao partido e fortalecer adversários que estavam à espera de um espaço para avançar.
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