Após o anúncio da conclusão do inquérito, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho divulgou nota oficial comunicando o afastamento imediato de Aline Melo e também do motorista que a acompanhava no momento do episódio. O caso, que inicialmente havia sido tratado como uma possível tentativa de feminicídio, ganhou enorme repercussão em Pernambuco e mobilizou autoridades, entidades municipalistas e representantes políticos.
Segundo a delegada Mythor Andrade, a investigação apontou que a denúncia apresentada à polícia no dia 27 de março não correspondia à realidade dos fatos. Diante das provas reunidas, a Polícia Civil solicitou à Justiça o indiciamento da ex-secretária e do motorista por terem provocado uma investigação policial baseada em informações que, segundo o inquérito, eles sabiam serem falsas.
Além deles, a polícia também pediu o indiciamento do pai do motorista por tentativa de homicídio. De acordo com a investigação, foi ele quem efetuou dois disparos contra o veículo onde estavam seu filho e a secretária municipal. Apesar de o atentado ter sido previamente articulado, os tiros disparados colocaram efetivamente em risco a vida das pessoas que estavam no carro.
As investigações avançaram a partir da análise de imagens de câmeras de segurança espalhadas pelo trajeto percorrido pelo veículo da secretária. Segundo a delegada, as gravações mostraram um detalhe decisivo: antes dos disparos, o automóvel parou em um acostamento da rodovia e, logo em seguida, a motocicleta utilizada pelo autor dos tiros também estacionou no local.
As imagens revelaram ainda que o motociclista, posteriormente identificado como sendo o pai do motorista, conversou com os ocupantes do veículo por cerca de 17 segundos. Após o breve encontro, o carro retomou o trajeto e a motocicleta passou a segui-lo até o momento em que ocorreram os disparos.
Outro ponto considerado fundamental para a conclusão do inquérito foram as contradições apresentadas pelos envolvidos durante os depoimentos. Conforme explicou Mythor Andrade, tanto a secretária quanto o motorista omitiram inicialmente a aproximação da motocicleta durante seus relatos à polícia.
Posteriormente, quando os investigadores identificaram a moto e descobriram que ela pertencia ao pai do motorista, os depoimentos começaram a entrar em conflito. Foi então realizada uma acareação entre os três envolvidos.
Durante essa etapa, o motorista e o pai afirmaram que haviam se encontrado na estrada porque aguardavam a entrega de uma encomenda de seringas emagrecedoras. Já Aline Melo, segundo a polícia, inicialmente negou qualquer aproximação da moto ao veículo. Depois, mudou a versão e admitiu o encontro, embora tenha alegado não ter prestado atenção no teor da conversa entre pai e filho.
Mesmo diante da suspeita de armação, a delegada destacou que os disparos foram reais e que um dos tiros quase atingiu os ocupantes do automóvel. Por isso, o pai do motorista responderá por tentativa de homicídio.
Na época do ocorrido, o caso provocou forte repercussão em Pernambuco. A denúncia de uma possível tentativa de feminicídio gerou manifestações públicas de solidariedade e pedidos rigorosos de investigação. A Associação Municipalista de Pernambuco divulgou nota cobrando apuração dos fatos e prestando apoio à então secretária.
O episódio também repercutiu na Assembleia Legislativa de Pernambuco. A deputada estadual Gleide Ângelo utilizou a tribuna da Alepe para denunciar o caso e manifestar solidariedade às supostas vítimas.
Já a Prefeitura do Cabo, naquele momento, havia divulgado comunicado oficial classificando o episódio como grave e defendendo a completa investigação policial.
Com a conclusão do inquérito apresentada nesta segunda-feira, a gestão municipal mudou o posicionamento e informou o afastamento dos envolvidos. Em nota, a prefeitura afirmou que acompanhará o andamento das investigações e declarou que, caso haja confirmação definitiva das irregularidades e responsabilização judicial dos citados, serão adotadas todas as medidas administrativas cabíveis.
O caso agora segue para análise do Poder Judiciário e do Ministério Público, que irão avaliar os pedidos de indiciamento apresentados pela Polícia Civil.
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