segunda-feira, 18 de maio de 2026

TCU TRAVA TRANSNORDESTINA E PREFEITO DE SALGUEIRO ALERTA PARA “PREJUÍZO GIGANTESCO” AO FUTURO DO SERTÃO

A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender novos compromissos financeiros para a retomada das obras da Transnordestina no trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape acendeu um sinal de alerta no Sertão pernambucano e provocou forte reação do prefeito de Salgueiro, Fabinho Lisandro. Em entrevista à Folha de Pernambuco, o gestor afirmou que a medida representa uma ameaça direta ao desenvolvimento econômico da cidade e pode comprometer investimentos estratégicos planejados para os próximos anos.

Segundo Fabinho, a interrupção ocorre justamente no momento em que Salgueiro alimentava a expectativa de uma nova fase de crescimento impulsionada pela ferrovia. O prefeito revelou que havia previsão de cerca de R$ 200 milhões em investimentos ainda este ano, além de mais R$ 56 milhões já incluídos no orçamento. Para ele, a suspensão cria um ambiente de insegurança econômica e reduz a confiança de investidores interessados na região.

O gestor destacou que a Transnordestina é vista como peça-chave para transformar Salgueiro em um polo logístico do Nordeste. A cidade, localizada em posição estratégica no interior pernambucano, há anos aposta na conclusão da ferrovia como caminho para atrair grandes empreendimentos, ampliar a circulação de cargas e fortalecer a economia regional. Com a decisão do TCU, no entanto, o cenário passa a ser de apreensão.

Fabinho citou como exemplo as discussões envolvendo a instalação de um terminal de combustíveis da Petrobras em Salgueiro. Embora considere que o projeto ainda permaneça no radar, o prefeito admitiu que outros investidores podem rever planos diante da indefinição sobre a continuidade das obras ferroviárias. Segundo ele, a paralisação da Transnordestina compromete não apenas a logística, mas toda uma cadeia de oportunidades econômicas que vinha sendo construída em torno do empreendimento.

O prefeito foi além e afirmou que o impacto histórico da demora na execução da ferrovia já representa perdas gigantescas para o município. De acordo com ele, estudos e projeções apontam que, com a Transnordestina operando integrada à plataforma logística local, o Produto Interno Bruto (PIB) de Salgueiro poderia sextuplicar em apenas cinco anos. Para Fabinho, se a obra tivesse sido concluída no ritmo inicialmente prometido, a realidade econômica da cidade hoje seria completamente diferente.

A Transnordestina é uma das obras de infraestrutura mais aguardadas do Nordeste e também uma das mais marcadas por atrasos, impasses e reformulações ao longo de mais de duas décadas. O trecho entre Salgueiro e Suape é considerado estratégico por conectar o Sertão ao litoral pernambucano e aos portos da região, fortalecendo o escoamento de grãos, minério, combustíveis e outras cargas.

Diante da decisão do TCU, Fabinho Lisandro confirmou que viajará a Brasília nesta segunda-feira (18) em busca de soluções e articulações políticas para evitar novos atrasos. O prefeito informou que contará com o apoio da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, que também estará na capital federal para discutir o assunto. Segundo ele, o momento exige união institucional e diálogo entre prefeitos, governo estadual e bancada federal.

O gestor também revelou ter conversado com Pedro Freitas, presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), para que a situação da Transnordestina seja debatida em reuniões com parlamentares e representantes do governo federal. Fabinho defendeu que o foco agora deve ser encontrar alternativas técnicas e políticas capazes de destravar o empreendimento.

A determinação do TCU foi aprovada na última quarta-feira (13) e estabelece que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. não poderão assumir novos compromissos financeiros relacionados à retomada da construção do trecho Salgueiro-Suape até que sejam corrigidas falhas apontadas pela auditoria técnica da Corte.

O ministro relator do processo, Jhonatan de Jesus, argumentou que há deficiência na fundamentação técnica da retomada da obra e ausência de estudos atualizados que comprovem a vantajosidade socioeconômica do projeto. A auditoria identificou ainda entraves ambientais, problemas fundiários, indefinições de traçado e riscos operacionais capazes de comprometer a viabilidade do ramal.

Além de barrar novos compromissos financeiros, o TCU determinou que a Infra S.A. apresente em até 30 dias um plano detalhado para conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da futura concessão do trecho ferroviário. O documento deverá conter cronograma, responsáveis e medidas necessárias para concluir as análises sobre a viabilidade da concessão.

O tribunal também recomendou que, caso o governo federal decida manter a política pública de retomada da obra, sejam reavaliadas as etapas de execução para evitar a implantação de trechos isolados sem funcionalidade operacional. A preocupação é impedir que partes da ferrovia sejam concluídas sem integração logística suficiente para garantir eficiência econômica.

Enquanto o debate técnico avança em Brasília, no Sertão pernambucano cresce o temor de que a paralisação represente mais um capítulo de atraso em uma obra que há décadas simboliza esperança de desenvolvimento para milhares de pessoas. Em Salgueiro, a percepção é de que a Transnordestina deixou de ser apenas uma ferrovia e passou a representar o futuro econômico de toda uma região.

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