segunda-feira, 18 de maio de 2026

TÚLIO REBATE JOÃO CAMPOS E EXPÕE DECISÃO DO TCU SOBRE TRANSNORDESTINA: “RAQUEL NÃO TEM CULPA”

A disputa política em torno da Transnordestina ganhou novos capítulos neste fim de semana e elevou a temperatura do cenário pré-eleitoral em Pernambuco. O deputado federal e pré-candidato ao Senado Túlio Gadêlha entrou no debate para rebater publicamente as críticas feitas pelo pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, à governadora Raquel Lyra sobre a paralisação de novos investimentos no trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Túlio adotou um tom firme e acusou João Campos de transformar uma decisão técnica do Tribunal de Contas da União em discurso político. O parlamentar afirmou que responsabilizar Raquel Lyra pela suspensão determinada pelo TCU distorce os fatos e ignora a origem administrativa do problema.

“João, amigo, você sabe que isso não é correto. Quando a gente trabalha e resolve, você comemora. Mas quando surge um problema técnico e uma decisão do TCU suspendendo novos investimentos, você tenta colocar a culpa na governadora”, afirmou Túlio.

A fala do deputado ganhou repercussão porque trouxe para o centro do debate um ponto ignorado na crítica feita pelo socialista: a decisão não partiu do Governo de Pernambuco, mas sim do Tribunal de Contas da União, após auditoria que identificou falhas técnicas, ausência de estudos atualizados e dúvidas sobre a viabilidade econômica do empreendimento.

Na decisão divulgada na última quarta-feira (13), o TCU determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A., estatal federal responsável pelo projeto, não assumam novos compromissos financeiros para a retomada das obras no trecho Salgueiro-Porto de Suape até que sejam corrigidas inconsistências técnicas relacionadas ao projeto.

O tribunal apontou ausência de comprovação atualizada sobre os benefícios socioeconômicos da obra, além de entraves fundiários, ambientais e operacionais. Também foram citadas indefinições de traçado em partes do ramal e a necessidade de atualização do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA).

Túlio Gadêlha destacou justamente esse ponto para defender a governadora e reforçou que a responsabilidade pelos estudos técnicos é da Infra S.A., antiga Valec, vinculada ao governo federal.

“Quem contratou os estudos foi a Infra S.A., empresa pública federal. Raquel não tem nada a ver com essa decisão do TCU”, enfatizou.

O deputado também aproveitou para lembrar que Raquel Lyra teve papel ativo na articulação política para recolocar a Transnordestina dentro do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Segundo ele, a governadora liderou a bancada pernambucana em Brasília em defesa da retomada do projeto e trabalhou diretamente junto ao presidente Lula para garantir a reinclusão da obra entre as prioridades nacionais.

Ao ampliar o debate, Túlio ainda resgatou críticas históricas ao PSB, partido de João Campos, afirmando que Pernambuco passou anos sem avanços concretos no trecho pernambucano da ferrovia durante as gestões socialistas.

“O que causa estranhamento é esse ataque justamente agora, depois de anos em que Pernambuco foi deixado de lado. A Transnordestina sofreu abandono durante muito tempo”, afirmou.

A declaração de Túlio foi interpretada nos bastidores políticos como uma reação direta ao discurso de João Campos, que vinha tentando associar a suspensão dos investimentos à suposta falta de articulação do atual governo estadual.

Nas redes sociais, João afirmou que a paralisação representa um sinal da “falta de prioridade” do Governo de Pernambuco com a ferrovia e declarou que o Estado corre risco de perder empregos, investimentos e relevância econômica caso o projeto não avance.

O posicionamento, no entanto, abriu espaço para a resposta do deputado federal, que buscou separar uma decisão técnica do TCU da disputa política estadual. A reação de Túlio também foi vista como uma demonstração de alinhamento com Raquel Lyra em um momento estratégico do cenário eleitoral de 2026.

Enquanto o debate político cresce, o TCU determinou que a Infra S.A. apresente em até 30 dias um plano de ação detalhado para conclusão dos estudos de viabilidade da futura concessão do trecho Salgueiro-Suape. O tribunal também recomendou que o governo federal reavalie o sequenciamento das obras para evitar implantação de trechos isolados sem funcionalidade logística.

A Transnordestina é considerada uma das obras mais importantes para o desenvolvimento econômico do Nordeste, especialmente para Pernambuco, por ligar áreas produtoras ao Porto de Suape. O empreendimento, no entanto, acumula atrasos, mudanças de traçado, problemas técnicos e disputas políticas há anos.

No meio desse cenário, o embate entre João Campos e Túlio Gadêlha mostra que a disputa pelo comando político de Pernambuco já começou, com a Transnordestina se transformando em mais um símbolo da batalha narrativa entre governo e oposição.

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