sexta-feira, 22 de maio de 2026

VORCARO MANDA APAGAR REPORTAGEM SOBRE FILME DE BOLSONARO E EXPÕE BASTIDORES DE ARTICULAÇÃO COM PORTAL LEO DIAS

Uma nova revelação envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o filme “Dark Horse” e o entorno político do ex-presidente Jair Bolsonaro colocou novamente sob os holofotes a relação entre empresários, mídia e aliados bolsonaristas. Conversas obtidas pelo site Intercept Brasil mostram que Vorcaro atuou diretamente para impedir a divulgação antecipada do longa-metragem inspirado na trajetória política de Bolsonaro, produção que já vinha sendo tratada nos bastidores como uma das maiores apostas audiovisuais ligadas ao campo conservador brasileiro.

Segundo a publicação, em agosto de 2025, o então dono do Banco Master procurou o empresário Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, após uma reportagem sobre o filme ir ao ar no portal de entretenimento. Incomodado com a exposição precoce do projeto, Vorcaro enviou uma mensagem direta ao empresário demonstrando preocupação com a repercussão. “Achei que divulgar que tá fazendo o filme muito ruim, não acha?”, escreveu o banqueiro. A resposta veio rapidamente. Miranda concordou com a avaliação e afirmou que iria descobrir como a informação havia sido publicada.

As mensagens indicam que havia um alinhamento prévio para manter o projeto sob sigilo naquele momento. Em outro trecho revelado, Thiago Miranda afirma que pediria a retirada imediata da reportagem do ar. Pouco depois, a matéria intitulada “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói” foi apagada do Portal Leo Dias.

O conteúdo expõe ainda uma articulação envolvendo nomes próximos ao bolsonarismo. Miranda mencionou ter conversado com o senador Flávio Bolsonaro e com o deputado federal Mário Frias, apontado como produtor-executivo do longa. A justificativa apresentada foi de que o início das gravações e testes de produção acabou provocando vazamentos inevitáveis. Mesmo assim, a preocupação principal seria evitar a associação pública do projeto aos financiadores e articuladores políticos naquele estágio inicial.

O filme “Dark Horse” se tornou alvo de intensa atenção pública após vir à tona o volume de recursos envolvidos na produção. De acordo com Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, o orçamento já executado alcança cerca de US$ 13 milhões, valor que supera R$ 65 milhões na cotação atual. O próprio Flávio Bolsonaro confirmou que recebeu mais de US$ 12 milhões de Daniel Vorcaro para o financiamento da obra, descrevendo a operação como um “patrocínio”.

A dimensão financeira do projeto passou a ser ainda mais questionada após Daniel Vorcaro ser alvo de investigações relacionadas a fraudes financeiras. O banqueiro chegou a ser preso e também tentou negociar um acordo de delação premiada, proposta posteriormente rejeitada pela Polícia Federal. O caso ampliou o debate sobre a origem dos recursos utilizados no longa e os interesses políticos por trás da produção cinematográfica.

Outro elemento que aumentou a repercussão foi a revelação feita anteriormente pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre transferências milionárias envolvendo empresas ligadas ao jornalista Leo Dias. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram que uma empresa do comunicador recebeu cerca de R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master entre 2024 e 2025. Além disso, outros R$ 2 milhões teriam sido pagos por uma companhia abastecida financeiramente pelo conglomerado de Vorcaro.

Na ocasião, Leo Dias afirmou que os pagamentos estavam relacionados a contratos publicitários vinculados ao Will Bank, instituição associada ao grupo econômico do Banco Master. Ainda assim, a divulgação das mensagens reforçou suspeitas sobre a influência exercida pelo banqueiro em veículos e canais de comunicação ligados ao entretenimento e ao noticiário de celebridades.

Até o momento, Daniel Vorcaro e Thiago Miranda não comentaram oficialmente o conteúdo revelado. Já o Portal Leo Dias declarou ao Intercept que a retomada da cobertura sobre “Dark Horse” aconteceu meses depois porque, naquele momento, a equipe considerou que havia informações mais consistentes e verificadas sobre a produção.

O episódio adiciona novos capítulos à crise que cerca o filme sobre Bolsonaro, um projeto que inicialmente buscava construir uma narrativa heroica do ex-presidente, mas que agora se vê cercado por suspeitas, investigações financeiras, vazamentos de mensagens e questionamentos sobre a relação entre empresários, política e influência midiática no Brasil contemporâneo.

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