O evento, organizado por um deputado federal, contou com uma grande estrutura, atrações de peso e forte divulgação. No palco, nomes conhecidos da música brasileira garantiram o espetáculo. Fora dele, porém, uma ausência chamou atenção de moradores, empresários e visitantes: o cuscuz produzido pelas indústrias de Angelim simplesmente não apareceu.
E foi justamente essa ausência que se transformou em tema de conversa nos corredores da festa, nas redes sociais e nas rodas de amigos. Afinal, em um evento criado para celebrar o cuscuz, seria natural que os produtos fabricados na própria cidade fossem protagonistas. Mas não foi o que aconteceu.
Empresas tradicionais como Marvan e Milharal, que geram empregos, movimentam a economia local e ajudam a sustentar centenas de famílias angelinenses ao longo de todo o ano, ficaram fora do centro das atenções. Não houve parceria destacada, não houve espaço de valorização e, segundo relatos de participantes, não houve sequer degustação do produto que ajudou a construir a identidade econômica do município.
A contradição é difícil de ignorar. O festival levou o nome do principal símbolo econômico da cidade, mas não abriu espaço para quem produz esse símbolo diariamente. Enquanto artistas recebiam os aplausos do público e patrocinadores ganhavam visibilidade, as marcas que ajudam a manter Angelim como referência regional na produção de flocão de milho ficaram invisíveis.
Ninguém questiona a importância da festa, do turismo gerado ou da movimentação econômica proporcionada pelo evento. O ponto levantado por muitos moradores é outro: como realizar um Festival do Cuscuz em Angelim sem valorizar o cuscuz produzido em Angelim?
Mais do que uma crítica, a situação abre um debate sobre identidade e pertencimento. Eventos temáticos costumam ser uma oportunidade para fortalecer cadeias produtivas locais, promover empresas da terra e valorizar quem gera emprego e renda durante todo o ano. Quando isso não acontece, fica a sensação de uma oportunidade perdida.
Ao final da festa, o público levou para casa fotos, vídeos, lembranças dos shows e dos grandes momentos do evento. Mas também levou uma dúvida que continua ecoando pelas ruas da cidade: como um Festival do Cuscuz conseguiu acontecer sem que o cuscuz de Angelim tivesse espaço nele?
Porque uma coisa é certa: ele não apareceu.
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