Em entrevista concedida ao jornalista Mário Flávio, do Blog do Mário Flávio, o ex-ministro classificou a estratégia como equivocada e sem potencial competitivo. Sem poupar palavras, Gilson afirmou que uma eventual candidatura construída apenas para atender interesses partidários ou nacionais acabaria se transformando em uma candidatura “fantoche”, sem força política suficiente para disputar de forma efetiva o comando do Palácio do Campo das Princesas.
A declaração repercute em um momento de intensa articulação nos bastidores da política pernambucana. Com o cenário eleitoral começando a ganhar forma, lideranças da direita, do centro e da esquerda buscam consolidar espaços e alianças capazes de influenciar a sucessão estadual. Para Gilson Machado, entretanto, o tempo para a construção de um projeto robusto da direita conservadora em Pernambuco já teria passado. Segundo ele, faltou planejamento e unidade para viabilizar um nome competitivo que pudesse enfrentar os principais grupos políticos que disputam o eleitorado pernambucano.
Ao afirmar que a direita perdeu o “timing” da disputa estadual, o ex-ministro sinaliza que a fragmentação do campo conservador pode acabar favorecendo adversários que já possuem estrutura política consolidada. Na avaliação apresentada por Gilson, uma candidatura sem musculatura eleitoral teria pouca capacidade de crescimento durante a campanha e acabaria funcionando apenas como elemento decorativo no processo eleitoral.
As declarações também revelam divergências internas entre lideranças que integram ou orbitam o campo bolsonarista em Pernambuco. Enquanto parte dos dirigentes defende a construção de uma candidatura própria para fortalecer a presença da direita no Estado e garantir visibilidade ao projeto nacional do grupo político, outros setores entendem que a estratégia pode resultar em isolamento e perda de influência na disputa local.
O posicionamento de Gilson Machado ganha relevância por partir de uma das figuras mais conhecidas do bolsonarismo pernambucano. Além de ter ocupado o Ministério do Turismo durante o governo Bolsonaro, ele mantém forte ligação com o ex-presidente e continua sendo uma das principais referências do segmento conservador no Estado. Sua opinião, portanto, tende a repercutir entre lideranças partidárias, militantes e eleitores identificados com a direita.
Ao mencionar que uma candidatura desse perfil poderia beneficiar diretamente o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), Gilson introduz outro elemento importante no debate eleitoral. O socialista aparece como um dos nomes mais competitivos para a sucessão estadual e vem ampliando sua presença política em diversas regiões de Pernambuco por meio de agendas públicas, encontros com lideranças e ações de pré-campanha.
A fala do ex-ministro evidencia que, mais do que a disputa entre campos ideológicos distintos, a eleição de 2026 também será marcada por intensas discussões dentro dos próprios grupos políticos. Na direita pernambucana, a definição sobre qual estratégia adotar para enfrentar os adversários promete continuar sendo tema de debates, negociações e divergências nos próximos meses.
Com o calendário eleitoral avançando e as articulações ganhando intensidade, declarações como a de Gilson Machado mostram que o jogo político em Pernambuco está longe de alcançar consenso. Pelo contrário, a disputa pela liderança do campo conservador e pela construção de um projeto viável para o Estado deverá continuar ocupando espaço central nas conversas de bastidores e nos movimentos que moldarão a corrida pelo Governo de Pernambuco em 2026.
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