Durante meses, aliados de João alimentaram a narrativa de que dezenas de prefeitos estariam apenas esperando o momento certo para abandonar o governo estadual e embarcar no projeto socialista. A teoria era repetida nos bastidores, em entrevistas e nas rodas políticas do Recife. Havia sempre uma nova data para a suposta debandada. Primeiro seria após as eleições municipais. Depois, no início de 2026. Mais recentemente, apostava-se que a saída de João da Prefeitura do Recife abriria as portas para uma grande migração. O problema é que o movimento nunca aconteceu.
Enquanto o PSB aguardava uma revoada de prefeitos, foi Raquel Lyra quem continuou ampliando sua influência política pelo estado. A governadora consolidou alianças, fortaleceu sua presença no interior e hoje trabalha com a perspectiva de chegar à campanha cercada por uma ampla maioria dos gestores municipais. Na política, prefeito não costuma apostar em projeto que pareça frágil. E quanto mais as pesquisas mostram uma governadora competitiva, menor é o interesse dos prefeitos em trocar um palanque consolidado por uma aventura eleitoral cercada de incertezas.
Mas a frustração socialista não para por aí. Outra aposta era transformar a administração estadual em alvo permanente de desgaste. Parlamentares ligados ao PSB intensificaram ataques na Assembleia Legislativa, críticas passaram a fazer parte do discurso diário e João Campos tentou ocupar espaços cobrando soluções para problemas na saúde, infraestrutura e segurança. A estratégia parecia clara: enfraquecer a imagem administrativa de Raquel antes do início oficial da campanha.
O resultado foi exatamente o oposto. Em vez de cair, a aprovação do governo cresceu. Em vez de desgaste, houve fortalecimento. As pesquisas recentes mostraram uma governadora mais aprovada do que meses atrás. Para um grupo político que apostava no enfraquecimento da gestão estadual como caminho para encurtar a distância na disputa, o resultado foi um verdadeiro balde de água fria.
Diante do fracasso dessas duas frentes, sobra praticamente uma última esperança no tabuleiro socialista: o apoio exclusivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E nem essa carta parece tão forte quanto o PSB gostaria. Apesar da insistência pública e das movimentações nos bastidores, Lula continua evitando fechar as portas para Raquel Lyra. O presidente sabe que Pernambuco é estratégico para 2026 e não demonstra disposição para comprar uma guerra política que possa custar alianças importantes.
Nos corredores de Brasília, a leitura predominante é simples: Lula não vê motivos para romper com uma governadora bem avaliada apenas para atender aos interesses eleitorais do PSB. A viagem recente de João Campos à capital federal aumentou as expectativas de uma definição favorável, mas, ao que tudo indica, terminou sem qualquer mudança significativa no cenário.
O fato é que a campanha de João Campos começa a enfrentar um problema que poucos dentro do PSB imaginavam admitir publicamente. As teses que sustentavam o discurso da inevitabilidade de sua vitória estão desmoronando uma a uma. Os prefeitos não migraram. O desgaste do governo não apareceu. Lula não se decidiu. E, enquanto isso, Raquel Lyra segue acumulando apoios, ampliando espaço político e assistindo seus adversários esbarrarem em uma realidade bem diferente daquela que projetavam.
É cedo para decretar qualquer resultado eleitoral. Pernambuco já viu campanhas virarem de cabeça para baixo em poucos meses. Mas uma coisa parece cada vez mais evidente: a eleição que João Campos imaginava disputar não existe mais. No lugar dela, surge uma corrida dura, imprevisível e cheia de obstáculos, na qual o favoritismo que muitos davam como certo começa a ser substituído por dúvidas cada vez mais difíceis de ignorar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário