segunda-feira, 8 de junho de 2026

JUSTIÇA CONDENA JOAQUIM NETO A DEVOLVER QUASE R$ 600 MIL E SUSPENDE DIREITOS POLÍTICOS POR CINCO ANOS

O cenário político de Gravatá foi impactado por uma decisão da Justiça que condenou o ex-prefeito Joaquim Neto ao ressarcimento de R$ 597.541,55 aos cofres públicos, além da aplicação de sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa. A sentença foi assinada pelo juiz Augusto Cézar de Sousa Arruda, da 2ª Vara Cível da Comarca de Gravatá, e representa um novo capítulo em um processo que tramita há anos envolvendo supostas irregularidades na administração municipal.

A condenação tem como base acusações relacionadas à contratação de serviços e realização de pagamentos sem a observância dos procedimentos legais exigidos pela legislação brasileira, especialmente a realização de processos licitatórios. Segundo o entendimento da Justiça, houve autorização e ratificação de despesas sem que fossem adotadas as medidas necessárias para garantir a legalidade e a transparência na utilização dos recursos públicos.

O Ministério Público de Pernambuco, autor da ação, sustentou ao longo do processo que o então gestor tinha pleno conhecimento da obrigatoriedade das licitações e, mesmo assim, permitiu a execução de despesas consideradas irregulares. Para o MPPE, os fatos não se limitaram a episódios isolados, mas configuraram uma prática recorrente durante a gestão, resultando em prejuízo ao patrimônio público.

O caso chegou a ser arquivado em razão do reconhecimento da prescrição em uma fase anterior da tramitação. No entanto, o Ministério Público recorreu da decisão e obteve êxito na reversão do entendimento, permitindo que o mérito da ação fosse novamente analisado pelo Judiciário. Com isso, o processo retornou à primeira instância, culminando agora na condenação do ex-prefeito.

Na sentença, o magistrado destacou que a responsabilidade pela fiscalização e legalidade dos atos administrativos recai diretamente sobre o chefe do Poder Executivo municipal. Ao analisar os autos, o juiz concluiu que houve falha grave no cumprimento desse dever.

Em um dos trechos da decisão, Augusto Cézar de Sousa Arruda afirmou que a autorização repetida de pagamentos sem o correspondente processo licitatório, especialmente envolvendo valores elevados, demonstra, no mínimo, uma omissão dolosa por parte do gestor, caracterizando violação aos princípios que regem a administração pública.

Além da obrigação de devolver os recursos apontados como prejuízo ao erário, a Justiça determinou a suspensão dos direitos políticos de Joaquim Neto pelo período de cinco anos. A decisão também estabelece a proibição de contratar com órgãos públicos ou receber incentivos, benefícios fiscais e creditícios concedidos pelo Poder Público pelo prazo de três anos.

A condenação ganha repercussão ainda maior em razão da trajetória política do ex-prefeito. Joaquim Neto comandou a Prefeitura de Gravatá em três mandatos e permanece como uma das principais lideranças políticas do município. Em 2024, voltou a disputar o comando da cidade, mas terminou a eleição na segunda colocação.

Após a divulgação da sentença, o ex-gestor contestou duramente as acusações e afirmou que recorrerá da decisão às instâncias superiores. Em declaração ao Diario de Pernambuco, Joaquim Neto negou qualquer irregularidade e questionou os fundamentos da condenação.

Segundo ele, a existência de contas aprovadas pelos órgãos de controle demonstra que sua administração seguiu os parâmetros legais. O ex-prefeito também destacou que, ao longo de sua trajetória política, jamais havia recebido condenação semelhante ou sido obrigado a devolver recursos públicos.

A defesa já anunciou que prepara recurso para tentar reformar a decisão e reverter as penalidades impostas. Como ainda cabem recursos, a sentença não é definitiva e o caso continuará sendo discutido no âmbito do Poder Judiciário.

O episódio reacende o debate sobre a importância da transparência, do controle dos gastos públicos e do cumprimento rigoroso das normas de contratação na administração pública, temas que seguem no centro das discussões sobre gestão e responsabilidade fiscal em Pernambuco e em todo o país.

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