Em dois vídeos publicados nas redes sociais, a ex-primeira-dama diz ainda ser tratada como 'idiota' pelo enteado e 'alguns que o cercam'
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou dois vídeos nas redes sociais nesta quarta-feira (24/6) nos quais afirma ter sido "humilhada", "maltratada" e "apunhalada" pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República nas eleições de outubro e seu enteado.
Nos vídeos, Michelle relata um rompimento político e pessoal com o senador após divergências sobre a articulação do PL no Ceará. Ela é contrária ao apoio do partido à candidatura do ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Ela afirma que não fala com Flávio desde o fim de 2025 e nega ter condicionado apoio à candidatura do senador a um pedido público de desculpas.
"Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo", afirmou. Segundo Michelle, o conflito teve origem após um evento do qual participou no Ceará no fim do ano passado. Na ocasião, ela criticou a aliança com Ciro que, segundo ela, fez ataques a Jair Bolsonaro e sua família.
"Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides", disse.
Michelle afirmou que Ciro foi o principal responsável "pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido" e voltou a criticar qualquer aproximação política com o ex-governador cearense. A ex-primeira-dama relatou que, após suas críticas à articulação do partido no Ceará, recebeu respostas públicas de Flávio e também dos irmãos dele.
Segundo ela, as manifestações lhe pareceram coordenadas. "Para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem, eu me recolhi. E desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso. Agora, vou desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa. Eu sei quem as planta. Eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou", declarou.
Em outro trecho, Michelle reforçou a acusação de que foi desrespeitada pelo senador durante uma conversa telefônica. "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone", afirmou. Ela detalhou o episódio e disse que Flávio tentou afastá-la das decisões partidárias.
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"Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante", relatou.
Michelle também afirmou que procurou mensagens e ligações de Flávio antes de suas manifestações públicas, entretanto, não encontrou qualquer tentativa de contato. Segundo ela, depois disso tentou falar com o senador, sem sucesso.
A ex-primeira-dama declarou ainda que ela e Flávio não se falam desde então, apesar de o senador frequentar sua residência. "Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado."
Nos vídeos, Michelle também rebateu críticas de aliados bolsonaristas que cobram maior participação dela na pré-campanha presidencial do senador. Ela afirmou que nunca exigiu retratações públicas e que decidiu se manifestar para responder a informações divulgadas na imprensa.
Sem citar nomes, a ex-primeira-dama disse ainda ser alvo de ataques diários de um grupo que está no exterior e afirmou que parte dessas pessoas aparece em fotografias ao lado de Flávio. Ela também mencionou o impacto das críticas sobre sua filha adolescente, Laura.
"Fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos. Mas será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha? Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo", disse.
"Eles não se importam. Para eles tudo é política, e uma política que não existe em função do ser humano. Esse tipo de política não serve para nada além de egoísmo", acrescentou.
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Michelle voltou a defender que o PL apoie no Ceará a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) e criticou a aliança costurada pelo partido com Ciro Gomes. Segundo ela, uma aproximação entre os grupos deveria ocorrer apenas em eventual segundo turno.
"Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adiem para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem", diz.
"Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno. É preciso dar chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores."
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