terça-feira, 9 de junho de 2026

PALANQUE DUPLO DE LULA EM PERNAMBUCO ACIRRA BASTIDORES E EXPÕE DISPUTA ENTRE RAQUEL LYRA E JOÃO CAMPOS

A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contar com dois palanques em Pernambuco nas eleições de 2026 voltou a incendiar os bastidores da política estadual e abriu um novo capítulo na disputa pela sucessão do Governo do Estado. A declaração do ministro Wellington Dias, coordenador da campanha de reeleição de Lula no Nordeste, de que o presidente terá os palanques do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e da governadora Raquel Lyra (PSD), provocou reações imediatas e colocou novamente no centro do debate uma das questões mais delicadas do cenário político pernambucano.

A fala de Wellington Dias repercutiu fortemente porque vai na contramão do discurso que vinha sendo adotado por lideranças do PT em Pernambuco. Até então, a sinalização predominante era de que Lula estaria politicamente alinhado apenas ao projeto liderado por João Campos, em razão da histórica aliança nacional entre PT e PSB. Ao incluir Raquel Lyra entre os palanques do presidente, o ministro abriu espaço para uma discussão que muitos petistas consideravam encerrada.

A governadora, por sua vez, evitou uma resposta definitiva. Questionada sobre a possibilidade de apoiar Lula em 2026, preferiu não confirmar nem negar. Adotando um discurso cauteloso, destacou a relação institucional que mantém com o Governo Federal, ressaltando a confiança construída ao longo dos últimos anos e as parcerias que vêm garantindo investimentos para Pernambuco. A postura foi interpretada por observadores políticos como uma tentativa de preservar pontes tanto com o eleitorado de centro e de direita quanto com o Palácio do Planalto.

Quem enxergou naturalidade na declaração de Wellington Dias foi o deputado estadual Luciano Duque (Podemos). Ex-petista e atento aos movimentos da política estadual, Duque avaliou que Raquel Lyra tem demonstrado habilidade para construir uma relação sólida com Lula, mesmo sem integrar formalmente o campo político do presidente. Para ele, a resistência à ideia de um palanque duplo parte principalmente do PSB, que busca manter exclusividade na associação com o presidente da República durante a disputa estadual.

Luciano Duque acredita que uma eventual aproximação mais explícita entre Raquel e Lula poderia alterar significativamente o cenário eleitoral. Na sua avaliação, a governadora conseguiu estabelecer uma agenda administrativa que dialoga com diferentes segmentos políticos e isso a coloca em posição estratégica diante da disputa que se desenha para 2026.

O parlamentar também destacou o dilema que poderá surgir para setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, caso Raquel Lyra consolide uma relação política com Lula sem perder sua identidade administrativa, parte do eleitorado conservador poderá ser forçada a escolher entre apoiar uma gestão que avalia positivamente ou migrar para projetos claramente identificados com a esquerda. Nesse contexto, Duque citou os nomes de João Campos e de Ivan Moraes (PSOL) como representantes de campos políticos mais alinhados ao espectro progressista.

Enquanto isso, dentro do PT, o discurso continua sendo de contenção dos danos provocados pela declaração de Wellington Dias. Lideranças petistas procuraram reafirmar que o alinhamento estratégico do partido em Pernambuco permanece com João Campos. O presidente estadual da legenda, Carlos Veras, afirmou não compreender os motivos que levaram o ministro a defender a tese do palanque duplo e reforçou que a parceria entre PT e PSB possui dimensão nacional.

A deputada estadual Dani Portela, uma das vozes mais críticas à gestão Raquel Lyra na Assembleia Legislativa, também foi categórica ao sustentar que Lula terá apenas um palanque em Pernambuco e que esse espaço será ocupado por João Campos. O mesmo posicionamento foi adotado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que entrou em campo para reduzir o impacto político da fala de Wellington Dias e reafirmar o compromisso partidário com o PSB.

O episódio evidencia que, embora a campanha de 2026 ainda esteja distante, a disputa pelos símbolos políticos já começou. Mais do que uma simples discussão sobre palanques, o debate envolve a tentativa de cada grupo político de associar sua imagem à popularidade de Lula em Pernambuco, estado onde o presidente mantém índices historicamente elevados de aprovação.

Nos bastidores, a leitura predominante é que a questão está longe de ser encerrada. Enquanto o PT insiste em defender a exclusividade da aliança com João Campos, aliados da governadora observam com atenção os sinais emitidos por Brasília e enxergam espaço para uma construção política que permita a Raquel Lyra compartilhar o capital político do presidente sem necessariamente romper com setores mais ao centro do eleitorado.

Por enquanto, a única certeza é que o chamado “palanque duplo” se transformou em um dos assuntos mais comentados da política pernambucana. E, ao que tudo indica, continuará rendendo debates, articulações e movimentações intensas nos bastidores até que Lula, Raquel e João Campos definam, de forma definitiva, qual será o desenho político da eleição estadual de 2026.

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