quarta-feira, 24 de junho de 2026

ZEZÉ DI CAMARGO CALIBRA SEUS BOLSOS COM CACHÊS MILIONÁRIOS NAS FESTAS JUNINAS EM PERNAMBUCO REACENDEM DEBATE SOBRE GASTOS PÚBLICOS E SERVIÇOS PRESTADOS

Enquanto o forró pé de serra resiste como símbolo maior da cultura nordestina, um outro fenômeno tem chamado atenção nos festejos juninos de Pernambuco: a presença cada vez mais frequente de artistas sertanejos com cachês milionários pagos por prefeituras. Entre eles, nenhum nome se destaca tanto quanto Zezé Di Camargo, que voltou a figurar entre as atrações mais caras do São João de 2026 e ajudou a reacender o debate sobre as prioridades na aplicação dos recursos públicos.

O caso mais emblemático deste ano ocorreu em Sanharó, no Agreste pernambucano. A prefeitura destinou R$ 650 mil para contratar o cantor, valor que colocou o município no topo da lista dos maiores cachês pagos ao artista no estado durante os festejos juninos. O montante supera os valores pagos por outras cidades pernambucanas e chamou atenção não apenas pelo número em si, mas pelo contraste com a realidade enfrentada por muitos municípios do interior.

Sanharó, no entanto, não está sozinha. Em Serra Talhada, uma das maiores festas juninas do Sertão também apostou no nome de Zezé Di Camargo como atração principal. Em Santa Cruz do Capibaribe, o cantor igualmente integrou a programação do tradicional São João da Moda, reforçando sua presença entre os artistas mais requisitados pelas administrações municipais pernambucanas.

A sequência de contratos reforça uma tendência observada nos últimos anos: grandes prefeituras e cidades de médio porte têm investido cada vez mais em atrações nacionais para disputar público, visibilidade e espaço no competitivo calendário junino nordestino. O problema é que, junto com os shows, chegam também os questionamentos.

Os defensores desses investimentos argumentam que grandes atrações movimentam hotéis, bares, restaurantes, ambulantes e o comércio em geral, gerando renda e fortalecendo o turismo. De fato, não há dúvidas de que os festejos juninos representam uma importante engrenagem econômica para o interior pernambucano.

Mas os críticos levantam uma questão igualmente legítima: até que ponto cachês de centenas de milhares de reais se justificam em municípios que ainda convivem com problemas estruturais em áreas como saúde, educação, infraestrutura urbana e assistência social?

A discussão não é nova e tampouco se limita a Pernambuco. Levantamentos publicados pela imprensa nacional mostram que Zezé Di Camargo recebeu milhões de reais em contratos firmados por prefeituras de diversas regiões do país nos últimos anos. Em cidades pequenas, alguns contratos chegaram a representar parcelas significativas dos orçamentos destinados a áreas sociais, gerando forte repercussão e questionamentos por parte da população e de órgãos de controle.

Embora a contratação de artistas consagrados por inexigibilidade de licitação seja permitida pela legislação, especialistas em gestão pública observam que legalidade e conveniência administrativa nem sempre caminham lado a lado. O fato de um gasto ser permitido não impede que a sociedade questione sua razoabilidade.

Outro aspecto que chama atenção é a diferença de tratamento entre as grandes estrelas nacionais e os artistas locais. Enquanto sanfoneiros, trios de forró e grupos culturais lutam para conquistar espaço e cachês muitas vezes modestos, nomes já consolidados no mercado musical seguem concentrando boa parte dos recursos destinados às festas.

Em Pernambuco, poucos artistas simbolizam melhor essa realidade do que Zezé Di Camargo. Ano após ano, seu nome aparece entre as atrações mais aguardadas e mais bem remuneradas dos festejos municipais. O cantor se tornou uma presença quase obrigatória em diversas programações juninas espalhadas pelo estado.

E se alguém ainda duvida da força de Zezé Di Camargo em Pernambuco, vale lembrar que o artista já ultrapassou há muito tempo a condição de simples atração de São João. Com tantos contratos espalhados pelo estado e após receber o título de cidadão pernambucano concedido pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, Zezé parece ter conquistado um lugar cativo não apenas nos palcos, mas também nos cofres públicos municipais.

Entre uma apresentação e outra, o sertanejo coleciona multidões, homenagens e cachês robustos. No ritmo em que as contratações avançam, Pernambuco talvez já possa reivindicar uma nova naturalização junina: Zezé Di Camargo nasceu em Goiás, mas, quando o assunto é faturamento em festas municipais, poucos parecem tão pernambucanos quanto ele.

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